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Di�rio de um suicida � uma vida em um jogo de palavras
PENSANDO BEM...
Ter�a, 17 de maio de 2005
Voc� j� teve a sensa��o ter que procurar algo, sem saber o que � e ter a certeza que n�o ir� encontrar? Olhe para o horizonte e veja o sol se pondo atr�s daquela colina, � para l� que eu vou. Olhe para cima e veja a estrela menos brilhante, a mais distante, l� eu me encontrarei.

N�o quero olhar nos olhos de ningu�m, n�o quero escutar essas vozes. De onde elas v�m? Por que elas me seguem? S�o vozes calmas e equilibradas, mas elas me obrigam a ficar. N�o me deixam ir. Esses carros est�o me deixando tonto, h� tanto barulho, tanta confus�o. Eu preciso sair daqui!

Mas h� algo estranho acontecendo hoje, o vento leva as nuvens na dire��o contr�ria, elas n�o deveriam ir para l�. Ainda escuto as vozes, mas elas mudaram, elas est�o me ajudando agora, elas querem que eu v�. Devem ser vozes amigas! Sim, est� tudo diferente! Hoje � noite vou embora.

As luzes acenderam, elas v�o me acompanhar. Preciso correr, quero chegar o mais breve poss�vel! N�o, n�o estou atrasado. Mas esperei tanto tempo por isso.

Tudo est� passando t�o r�pido! Mas... Por que aquela luz apagou? Ela n�o deveria estar acesa? Mais uma apagou, est�o todas se apagando! Est� tudo sumindo, desaparecendo! Estou com medo, com frio. Estou sozinho! N�o, ainda tenho as vozes, mas elas est�o tensas, tr�mulas. Eu vi uma sombra passar, eu n�o estou louco, juro que vi! Quem est� a�? Estou escutando algu�m chorar, de onde est� tudo vindo isso?

N�o estou enxergando nada, mas n�o posso parar. As vozes est�o me guiando, elas continuam nervosas, algumas est�o rindo, outras choram, mas choram t�o baixo que quase n�o consigo escutar. Por que elas choram?

Uma das vozes me manda parar, h� um beco estreito e escuro � minha frente, est� t�o cheio de lixo, tantos ratos. � aquela porta, tenho certeza!

Agora s� preciso subir essas escadas. S�o tantos degraus que minhas pernas quase n�o est�o ag�entando mais. Cheguei! Daqui de cima posso ver a cidade inteira!

Olhem para isso, tantas luzes, pessoas felizes, ou que pensam que s�o felizes. Uma infinidade de falsidade, falsos valores. Olhem aquele mendigo, sujo, b�bado e fedendo.
Parece invis�vel, ningu�m o v�. S� n�o � pisoteado porque as pessoas o v�em como um monte lixo. Elas n�o querem sujar de lixo seus sapatos italianos.

� agora, o momento chegou. Talvez uma �ltima picada. Ah, � t�o bom, mal posso descrever. As vozes est�o t�o altas.

Agora em cima do p�ra-peito, olho l� embaixo e as pessoas parecem formigas. Eu sei que posso voar. Vou pular... As vozes parecem ter ficado l� no terra�o, elas n�o est�o mais comigo, ou�o risadas que ficam cada vez mais distantes. Cheguei metade do percurso, h� um mar de tristeza me corroendo a cada metro que se passa, s� escuto gritos de dor, pessoas sofrendo, chorando.

Estou pr�ximo do ch�o, talvez eu n�o devesse ter pulado, mas n�o vou olhar para tr�s, afinal, de nada me importa este mero jogo de palav...

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Eduardo Vieira, 20, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro
([email protected])
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