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Sociedade Dogm�tica
PENSANDO BEM...
Ter�a, 10 de maio de 2005
A imagem que criamos de tudo o que nos cerca na inf�ncia � incrivelmente diferente de como as coisas realmente s�o. Acreditamos por exemplo, que m�dicos n�o adoecem e por isso todas as crian�as (e n�o exito em generalizar) fazem planos de ingressar na medicina quando crescer, afinal, ser seu pr�prio doutor significaria nunca mais tomar inje��o.

Mas infelizmente as ilus�es infantis n�o se limitam � inocente quest�o da escolha profissional e somos enganados de tal forma que algumas pessoas nunca chegam a �cair na real�, o que faz do planeta uma grande materializa��o do que seria a �Terra do Nunca�: mentes imaturas resolvendo problemas de gente grande.

A mesma sociedade que espera uma pr�xima gera��o livre dos conflitos atuais, � aquela que �doutrina� suas crian�as embalando-as com a macabra can��o de viol�ncia ao gato, que s� mais tarde (e por poucas pessoas), ser� interpretada em sua ess�ncia. Tamb�m somos convencidos de que programa infantil s� � bom se a apresentadora for loura, e quando grandes, tentam incansavelmente fixar a igualdade racial em mentes j� polu�das pela est�tica pregada pela televis�o.

Desde quando �ramos pequenos vemos nossas m�es falarem para colocarmos uma roupa bonitinha e engomada para sair, porque se sairmos �mal-vestidos�, o que as pessoas v�o achar? N�o estou culpando nossas m�es, at� por que elas n�o fazem isso por mal. Elas apenas fazem parte de um ciclo vicioso, aprenderam com suas m�es, que aprenderam com suas m�es e... Isso vai longe.


Por exemplo, eu tenho que trabalhar de roupa social. O motivo? Desconhecido! Se eu viesse trabalhar de cal�a jeans, t�nis e camiseta branca, isso me faria um profissional pior? N�o! Isso atrapalharia o meu rendimento na empresa? N�o! Muito pelo contr�rio.

N�o quero criar nenhum tipo de �rebeldia sem causa�, o problema � que as pessoas foram acostumadas a direcionar seus valores para um tipo de futilidade que n�o tem explica��o nem origem!

Se a primeira impress�o � realmente a que fica, � preciso concordar que a esperan�a de melhorar as coisas � absolutamente ut�pica, considerando que os dogmas mais f�teis e est�pidos da sociedade s�o os �nicos que de fato resistem � passagem do tempo.

O nosso cotidiano n�o se baseia nos cap�tulos de uma novela, assim como as emissoras de forma oportunista, tentam fazer. Curiosamente isso deveria estar funcionando de forma contr�ria.

-Saiam da frente!!!!! A locomotiva est� vindo na contra m�o!

Mas felizmente estamos em uma gera��o que aderiu a famosa combina��o de letras que se transforma em: �Por que...?�.

As pessoas est�o come�ando a perceber que pol�ticos de sorrisos largos que aparecem na televis�o abra�ando bebezinhos no meio da rua em �poca de elei��o, n�o convencem mais ningu�m.

J� deixamos para traz aquela no��o de uma fam�lia ideal (t�pica norte-americana): o pai que trabalha fora o dia inteiro, a m�e que usa um vestido florido e cuida dos filhos e de uma enorme casa de madeira, o seu jardim com grama verde e a famosa cerquinha branca.

O nosso problema � apenas de conscientiza��o. Por muito tempo acreditamos que quem manda no nosso pa�s � quem est� no poder. Entregamos nosso pa�s � �eles�. Mas vejam: NOSSO pa�s. Se o pa�s � NOSSO, por que permitimos que �eles� fa�am o que bem entenderem?

O que permite isso tudo � o medo que inconscientemente foi estigmatizado dentro de n�s. O medo de n�o aceitar, o medo de dizer N�O! Mas como esse medo existe? De onde veio?

Veio da antiga id�ia de que se formos contra o que �eles� querem, a pol�cia nos pega.

Eu tenho medo da pol�cia, n�o deveria, mas tenho. Eu nunca roubei, nunca matei e meu �nico v�cio � de comer chocolate. Por algum motivo, quando passo pelos policias, n�o me sinto � vontade. N�o me passa pela cabe�a parar e pedir aut�grafos para eles pelo fato deles nos defenderem dos �homens maus� (quase o mesmo servi�o do Superman e se eu o visse, pediria um aut�grafo).

N�o digo que os policiais sejam os vil�es, mas acredito que esse nosso temor � parte de um esquema, mais uma arma �deles�.

Agora a �batata quente� est� em nossas m�os e temos de repensar o que passaremos para nossos filhos, netos e etc. N�o quero ver meu filho crescer acreditando em fantoches e em um mundo que n�o existe.

Perdi muito tempo da minha vida acreditando em duendes.

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Cintia Carvalho, 18, estudante do 2.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro.
Eduardo Vieira, 20, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro.
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