| Procedimento � aquilo que o funcion�rio afirma que n�o ir� mais cumprir, por�m repete todos os dias. � o combust�vel, a parte fundamental da burocracia. Basta um mergulho nas empresas para verificar que h� uma regra sem exce��es: o melhor modo de demonstrar a��o, sem acrescentar ou subtrair � criar um novo procedimento. Tal meio tamb�m � utilizado para padronizar as opera��es e isto inclui m�quinas e pessoas. Ganha o jogo quem demonstrar que aprendeu a reproduzir todas as li��es que o manual de opera��es ensinou, sem esquecer de incluir os c�digos, os dados das tabelas, os d�gitos e os denominadores. A id�ia b�sica de um bom procedimento � dificultar aquilo que sempre foi facilmente solucion�vel, afinal de contas, o que � f�cil de fazer pode ser feito por qualquer um, portanto, n�o existe a necessidade de cursos t�cnicos. Sem cursos t�cnicos, primeiro perdemos a cultura do monop�lio das informa��es e segundo, sobra tempo demais para o pensamento, o racioc�nio, o questionamento. No �ltimo final de semana, ao passear pelos canais da TV durante um s�bado sem gra�a, v� um especial sobre multinacionais da �rea de telecomunica��es que, como em qualquer outra �rea onde exista uma multinacional, implantam procedimentos importados para resolver problemas brasileiros. Em uma delas, recentemente criou-se um link para consulta de dados, completamente elaborado em ingl�s. O coordenador da unidade Brasil afirmou que, �as informa��es n�o ter�o uma vers�o em portugu�s, pois os funcion�rios tem que se acostumar a consult�-las em ingl�s�. Repentinamente eu senti um orgulho incr�vel de ver nosso presidente discursar em portugu�s, numa forma de dizer, �voc�s que se virem para entender minha l�ngua�. Mordo os cotovelos para n�o acreditar que isto � fruto da ignor�ncia, mas sim de uma posi��o pol�tica contundente, firme, original. Nunca fui � Paris, mas de acordo com amigos que j� estiveram na cidade, os franceses n�o respondem, caso voc� pe�a alguma informa��o em ingl�s, afinal, quem visita a cidade � voc�, portanto, quem precisa se adaptar � cultura � o turista. A necessidade de se sentir parte da realidade europ�ia ou norte-americana rendeu momentos hil�rios a alguns brasileiros, como a entrevista de Wanderley Luxemburgo aos jornais espanh�is, logo ap�s o t�cnico assumir o cargo de comandante de um dos maiores times de futebol do mundo, o merengue Real Madrid. Luxemburgo mandou um portunhol de primeira e virou piada em todos os cadernos de esporte do globo. Entre as sa�das adotadas, admiro a francesa, sin�nimo de orgulho e dignidade, ao contr�rio da brasileira, sin�nimo de vergonha e complexo de inferioridade. A ess�ncia do procedimento � travar, limitar, pressionar quaquer forma de liberdade, qualquer v�lvula de escape que possa representar um risco para a democratiza��o das rela��es dentro da sociedade. N�o � um m�todo imut�vel, sempre busca aperfei�oar-se. Assim, o Estado que antes usava a viol�ncia para reprimir, hoje utiliza o poder da sedu��o. Oferece a id�ia de que n�o h� outra sa�da, al�m daquela que apresenta e transforma em rid�culo quem acredita no contr�rio. Em troca do ceticismo oferece assessoria e champgne. Desta forma, o princ�pio b�sico de qualquer um que n�o tenha orgasmos ao pronunciar �Business Partner� � esperar pelo pior, quando aproxima-se o empregado padr�o e diz, �o procedimento que n�s adotamos aqui � o seguinte...�. Isto significa, �a �nica coisa que podemos fazer nesta merda �...�. Para o bem geral da pessoa jur�dica e sobreviv�ncia do procedimento. _____________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3.� ano de Jornalismo da Universidade de Santo Amaro/SP ([email protected]) |
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| Ter�a, 10 de maio de 2005 |