Finalmente o papa partiu desta para melhor. Ou pior, sei l�, n�o fa�o a menor id�ia. Quando minha hora chegar ser� interessante saber se realmente existem lotes que podem ser adquiridos aqui na terra, conforme pregam os evang�licos, se existe um Deus que ir� levar os bem-aventurados � luz, como pregam os cat�licos, se existe uma outra vida, segundo pregam os esp�ritas, ou se toda esta hist�ria acaba por aqui mesmo, como dizem os ateus.

A verdade � que os jornalistas devem se sentir aliviados. A morte de Jo�o Paulo II era anunciada h� algum tempo e desde os primeiros sinais de que a principal personalidade crist� n�o resistiria por muito tempo, a press�o por destrinchar o caminho que o l�der religioso percorreu deve ter sido enorme, assim como a urg�ncia em reservar uma entrevista exclusiva com algum forte candidato � sucess�o do polon�s. Em outras palavras, nossos colegas salivaram sobre o papa, apenas � espera do momento certo para provarem a compet�ncia na cobertura deste evento hist�rico.

Aproveitamos a opotunidade para aprender palavras novas: pont�fice, conclave, ecum�nico. Esta � a imprensa prestando servi�o � l�ngua portuguesa.

Dizem que Jo�o Paulo gostava muito do Brasil e o pa�s tamb�m parece gostar muito dele, vide a comitiva que ir� at� a Pra�a de S�o Pedro, em Roma, onde ocorrer� o enterro. Al�m de Lula, o avi�o presidencial acolher� Severino Cavalcanti (presidente da C�mara), Renan Calheiros (presidente do Senado), Nelson Jobim (presidente do Supremo Tribunal Federal), D. Geraldo Majella Agnello (presidente da Confer�ncia Nacional de Bispos do Brasil) e D. Cl�udio Hummes. Coisa de pa�s de primeiro mundo, que pode bancar a estadia de todas estas importantes figuras e suas respectivas companhias. Por sorte, a doutrina cat�lica n�o permite que Hummes e Agnello sejam casados, logo menos duas di�rias a serem pagas por n�s.

Mas, al�m de todos estes fatores, o ocorrido permitiu que fosse comprovada uma tese que h� muito tempo tento provar: a imbecilidade n�o est� ligada ao n�vel acad�mico que um ser humano � capaz de ostentar.

Sempre duvidei daqueles capazes de vociferar os princ�pios de liberta��o do mundo dentro de seus carros com ar-condicionado, por�m a declara��o de Ives Gandra Martins ao �Jornal da Manh� da Jovem AM, no �ltimo dia 04 de abril foi sublime. Especialista em direito tribut�rio, membro de diversos conselhos, persona formadora de opini�o e refer�ncia internacional nas �reas pol�tica e econ�mica, quando foi convocado para falar sobre a morte do papa, eis que abordou os diversos valores que tal l�der defendeu, entre os quais a luta contra a �uni�o antinatural entre homossexuais�.

Vivemos um per�odo em que discutimos formas de legalizar a uni�o entre pessoas que desejam compartilhar a vida juntas, independente de sua op��o sexual. O suporte legal permite que elas tenham direitos que um casal heterosseual possui, como o direito � guarda de um filho ou a usufruir um bem que fora conquistado em conjunto.
Quando C�ssia Eller morreu, houve o in�cio de uma pol�mica sobre o fato do filho da cantora ficar sob tutela de sua companheira. Felizmente, o av� da crian�a, pai de C�ssia respeitou a vontade do menino, que permaceu com quem o criava e lhe oferecia carinho e educa��o.

Habitualmente consultado, quando h� alguma altera��o ou necessidade de alterar qualquer procedimento burocr�tico em nosso pa�s, Ives Grandra, com uma s�lida forma��o intelectual � exemplo de que diplomas n�o s�o capazes de limpar o preconceito e estabelecer uma conviv�ncia democr�tica.

Nem um extenso curr�culo como o do jurista � capaz de encobrir sua estupidez.
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Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP
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Os antinaturais
PENSANDO BEM...
Ter�a, 05 de abril de 2005
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