| Domingo de sol, batizado e blues. Tudo come�ou quando tive que acordar por volta das sete e meia, oito horas para ver um padre que n�o sabia o texto a ser lido durante o ingresso de uma crian�a no catolicismo. Que �timo dia para ser ignorado por uma pobre que aplicou um certeiro golpe do ba� e ser xingado por cat�licos do Butant�. Interessante como uma das regras b�sicas para quem tem grana � diminiur a cor e aumentar a discri��o. At� a igreja onde aconteceu a celebra��o n�o possui luxo, apenas paredes pintadas com imagens de S�o Francisco de Assis. Vai ver que � porque os riscos conseguem comprar almas que absorvam seus pecados e por isso n�o h� necessidade de uma igreja que chame tanto aten��o, j� que estes privilegiados n�o ficar�o tanto tempo dentro destes templos. Esta � a primeira parte, a parte chata, a parte da missa, do serm�o, das mentiras de uma religi�o falida e canalha. Como o Butant�, como o pobre que recebe um sop�o e bebe o complexo de culpa de quem lhe entrega. Tanta formalidade, nenhuma honestidade. Esta � a capela S�o Francicos de Assis com uma placa de honra ao conde Matarazzo, benem�rito mor das paredes com vacas e lobos. Por volta das duas e meia n�s chegamos ao Parque do Ibirapuera e conseguios assistir um show chato de Chucky C & Lise Lee, donos de vozes bacanas, mas sem qualquer carisma. Liza at� tentou arrancar maiores aplausos da plat�ia com usa interpreta��o de �Chain Of Fools�, da Aretha Franklin, mas a apresenta��o para cumprir contrato n�o supriu efeito. Ao contr�rio de Dawell Crawford, que arrebentou com can��es de Stevie Wonder, Ray Charles e at� �Whata A Wondefull World�, entre funks pr�prios e um n�mero gospel. O tecladista terminou a tarde com um convite para que as pessoas acessassem a �rea VIP na parte frontal do palco, o que foi prontamente atendido. Bacana, uma tarde divertid�ssima, mas a m�sica n�o � a parte mais legal de um show. Neste domingo foram os amassos, os pelos e bicos de seios arrepiados, as m�os nas cinturas e as car�cias sobre as cal�as e bermudas jeans. O baseado que passou, as meninas de roupas apertadinhas, os cachorros engra�ados. As guitarras, baixos, corais, tudo era apenas parte da coisa. Assisti uma das minhas bandas preferidas, o Black Sabbath, ao lado do meu irm�o, f� do U2, numa noite que terminou na porta do metr� Marechal Deodoro, onde dormimos para voltar quando o dia amanheceu. O Camisa de V�nus, a melhor banda brasileira que eu j� v� no palco se apresentava na Led Slay lotada, durante o lan�amento do �lbum �Quem � Voc�?�. N�o me lembro o ano, mas me lembro do chato que se aproximou e acompanhou a mim e meu amigo Bod�o durante todo o nosso percursso, que incluiu a avenida Celso Garcia. O �pice da noite foi quando o figura tentou paquerar algumas meninas e voltou, visivelmente sem conseguir nada. Sem que ningu�m perguntasse ele justificou o fracasso. �Eram l�sbicas�. N�o me lembro de nenhum set list de banda alguma, mas muitas vezes eu caio na gargalhada ao recordar os shows engra�ad�ssimos, muitas vezes, em noitas pouco inspiradas de diversas bandas. Elas foram apenas figurantes. As personagens principais �ramos n�s. _______________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
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| Ter�a, 23 de agosto de 2005 |
| Grandes dias |