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Uma noite qualquer. N�o me lembro como ganhei os ingressos, mas estava com um par deles nas m�os quando cheguei ao antigo Teatro Zaccaro, abrigava a estr�ia do cast da gravadora Top Cat, tradicional reduto de Blues em Chicago, em plena estr�ia no Brasil, via Big Gilson, guitarrista da veterana banda de Blues, Big Allambik.

O local com carpete no ch�o e poucas pessoas na plat�ia parecia ser capaz de tornar a noite mais agrad�vel ainda. Se sucederam artistas e bandas que ainda continuam na ativa: Lancaster, o pr�prio Big Gilson, acompanhado por Allan Green, tecladista e parceiro no Big Allambik, um excelente guitarrista do sul, Fernando Noronha. Eu tinha hora para ir e voltar, mas resolvi ficar al�m do que poderia, perdi o metr� e a divers�o apenas come�ou.

Quando os shows acabaram eu resolvi dar uma volta pela regi�o. Al� na Avenida Ang�lica, numa quinta-feira qualquer, prostitutas e travestis ocupavam os balc�es dos bares e com certeza n�o havia solid�o ou mal-humor. Ao menos, n�o externamente. Pode ser que todas aquelas cores e brilhos fossem apenas uma armadura conta as ang�stias e o sofrimento, mas n�o era uma madrugada de filosofias, apenas de curti��o, conversa, risos, liberta��o.

�s cinco da manh� eu comprei o jornal e voltei para casa. Faltei ao trabalho e n�o fez muita diferen�a. Muito provavelmente por isso, ap�s algum tempo fui mandado embora, j� que notaram o fato de n�o fazer muita falta.

Era um m�s de agosto, assim como este que come�a agora. Bem, n�o exatamente como este, j� que os sentimentos n�o s�o os mesmos. Eu ainda tenho curiosidade, ainda amo o Blues, mas tenho medos que eu n�o tinha, tinha algo de puro, que j� n�o existe mais. N�o tenho d�vidas que o m�s de agosto � especial, seja pelos estragos que � capaz de causar, seja pelas p�ginas que � capaz de virar.

H� alguns dias houve uma mostra com filmes de tem�tica punk em S�o Paulo. Com a tradicional organiza��o e perspic�cia dos grupos culturais da cidade, a mostra ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil, um lugar para 50 privilegiados, entre os quais eu n�o me encaixei. Perdi mais essa. Logo, a desgra�a j� se anunciara no final de julho.

Foi num m�s oito de 89 que Raul morreu, pouco antes de acompanhar o lan�amento de �A Panela do Diabo�, um dos principais discos da hist�ria do rock brasileiro, que comp�s ao lado de Marcelo Nova. Raul mudou a hist�ria do rock nacional, com primeiro artista a misturar ritmos regionais como bai�o ao rock and roll, e como primeiro a injetar texto em can��es �gua com a��car. Enfiou poesia, contesta��o, sonhos e pesadelos.

Para o bem ou para o mal, faltam exatos 15 dias, meio m�s para o final do m�s. Desta forma, tentemos permanecer vivos para contar a hist�ria, tudo bem?
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Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP
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Ter�a, 16 de  agosto de 2005
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Agosto de coisas estranhas
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