| �cones populares como duplas sertanejas e grupos de pagode sequer costumam se dar ao trabalho de colocar nome nos CDs. Boa parte deles trazem uma capa que se resume a foto da banda e nada mais. � o necess�rio para identific�-los. Nada de conceitual ou experimental. Quando algu�m adquire um �lbum de Zez� Di Camargo & Luciano, j� sabe o que esperar. Por mais irritante que isto seja, n�o h� ningu�m em qualquer lugar do Brasil que n�o tenha ficado, ao menos por algumas horas, com qualquer um dos trechos das can��es da dupla na cabe�a. Rapidamente, me lembro de �� o Amor�, �Faz Mais Uma Vez Comigo�, �Muda de Vida�, e n�o precisei exercitar muito a mem�ria. A f�rmula que artistas deste naipe utilizam deve ter algo de subliminar, porque ao ouvir o refr�o destas can��es � praticamente imposs�vel n�o repeti-lo. Mesmo que o ouvinte se controle para n�o cantar ou batucar em algum lugar o ritmo que aprendeu h� minutos, a desgra�a da letra cola no c�rebro e demora um certo tempo para ir embora. O Instituto Nopem divulgou o ranking dos cds mais vendidos entre 16 e 22 de junho e o novo �lbum de Zez� e seu irm�o ocupa o primeiro lugar nas regi�es Sul, Oeste e Nordeste, e segundo lugar na regi�o Sudeste, onde perde para o grupo Rapazolla. Somente na regi�o norte, que compreende os estados do Acre, Amap�, Amazonas, Par�, Rond�nia, Roraima e Tocantins a dupla n�o consta entre os dez artistas que mais venderam. O Brasil vive um revival de brega, que ganhou o nome de Trash e revitalizou a carreira de Sidney Magal, Gretchen, Reginaldo Rossi, entre outros. Nando Reis, s�mbolo de m�sica sens�vel, que faz uso da poesia costuma tocar Wando e Roupa Nova em suas apresenta��es. Caetano voltou �s r�dios, quando fez uma vers�o para Sozinho, do Peninha. Bom de venda, o brega tem prest�gio com quem lhe interessa. Consegue cumprir com perfei��o o que se prop�e a fazer, ser intelig�vel � massa popular. Mesmo com todos estes atributos, alguns representantes do g�nero sentem a necessidade do prest�gio intelectual. Buscam uma aproxima��o com figuras que lhe abram as portas do clube exclusivo dos g�nios da MPB. � como se o Trash fosse burro e buscasse a ben��o da bossa-nova para se tornar inteligente. Ao menos foi esta a impress�o que eu tive ap�s ler o bate-papo entre Zez� Di Camargo e Caetano Veloso, que o caderno Ilustrada do jornal Folha de S�o Paulo publicou no �ltimo domingo. Em determinado trecho, a rep�rter Monica Bergamo pergunta se Caetano ouve um cd do Zez� no carro e o baiano titubeia. �No carro...�, diz. A seguir, Zez� interrompe e afirma, �ainda n�o. Eu n�o consegui essa lavagem cerebral nele ainda. Mas estou caminhando a longos passos para isso, viu?�, com um misto de orgulho pela proximidade e vergonha por produzir algo que o pr�prio autor parece considerar um lixo. Camargo parece acreditar que sua obra � uma esp�cie de carne de segunda, algo que precisa passar pelas m�os divinas de Caetano para ganhar algum valor. Mal sabe ele que a fam�lia Veloso, para criar pol�mica ou pelo oportunismo da onda que chega � que deveria agradecer �Sozinho� e �� o Amor� (gravada por Beth�nia em �Rom�ntica�). A mesma MPB elitista que classificou as duplas sertanejas como subproduto da ind�stria cultural, agora bebe em sua fonte para sair do ostracismo e tentar fugir da falta de criatividade. _________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
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| Quarta, 29 de junho de 2005 |
| O brega que rasteja |