| Meu primeiro viol�o j� tem uns bons seis anos de idade. Parece que foi ontem (e agora esse texto me lembra uma dessas colunas saudosistas em que senhores ficam lembrando de sua inf�ncia) que aprendi a tocar o riff de Take a look around, do Limp Bizkit e voltei para casa realizado. As outras primeiras m�sicas que destrinchei no viol�o foram: Que pa�s � este, da t�o executada Legi�o Urbana, Aonde quer que eu v�, balada enjoativa dos Paralamas do Sucesso, Come as you are, dos professores do grunge, o Nirvana e The Unforgiven, do cl�ssico Metallica. Eu guardava tudo o que poderia me fazer lembrar do viol�o em qualquer dia que fosse falar sobre o assunto. Debaixo da minha cama, ainda habitam nos estrados uma pasta de cifras com m�sica cat�lica (da �poca em que eu ainda freq�entava igrejas), revistas de R$ 1,99 cheias de m�sica pop (foram nessas que aprendi a fazer as notas sem olhar para o bra�o do instrumento), as primeiras letras compostas, os primeiros adesivos colados, o repert�rio bobinho de Garotos Podres, Blind Pigs e Ramones. Ele se chama Bend, nome de uma t�cnica de guitarra muito usada no Blues e no Hard Rock. Se hoje sei fazer os solos de Stairway to Heaven e Hotel Calif�rnia, acreditem, foi naquele M�laga de seis cordas que aprendi. Foi nele que compus as m�sicas que nunca mostrei para ningu�m (por favor, n�o me fa�am tocar) e � nele que tenho vontade de aprender o que eu tiver de aprender. Dia desses me pediram para dar aula de viol�o. Recusei por dois motivos. O primeiro � banal, mas vale acrescentar: Eu n�o saberia de maneira pedag�gica para ensinar algu�m o dedilhado de Rebirth do Angra. Por outro lado, do jeito que aprendi a tocar, com esfor�o e revistinhas baratas, qualquer um pode fazer. Meu instrumento n�o custava mais de 100 reais, mas minha vontade valia milh�es de vezes esse valor. Vale os amigos que voc� faz nessas rodinhas de madrugada, as viagens em que voc� toca Faroeste Caboclo e todos cantam emocionados, a lista de can��es bonitinhas que um amigo meu sempre dizia fazer uma garota se derreter por voc�, mas que anos depois vim perceber que n�o � o que vale a pena. Se voc� gostar da m�sica que est� tocando, que se dane o mundo porque as notas, pelo menos naquele instante entre 2 e 3 minutos, s�o s� suas. Ap�s todos esses anos, ele perdeu a cor, os dizeres escritos com faca na parte de tr�s: �Eu quero que se foda, vamos encher nossos corpos de birita�, deixou de ter qualidade de som (se � que um dia teve isso) e est� t�o mais cheio de adesivos que qualquer carro de cowboy por a�. Est� deitado na cama agora, assistindo o jogo da Sele��o contra a Argentina. Por que n�o? Uma das coisas que meu viol�o nunca perdeu, mesmo com a velhice e a degrada��o, foi a personalidade. _________________________________________________________________________________ R�bson Assis, 22, estudante do 3� ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/ SP ([email protected]) |
| M�SICA Dying on the Delirious |
| Ter�a, 14 de junho de 2005 |
| A hist�ria de Bend e suas notas avessas |