| Inocentes, mas na moda. Certa madrugada, destas cheias de ins�nia, pude assistir a um filme que passava no SBT sobre o in�cio do Rock n� Roll. N�o consigo recordar muito bem, j� passava das 4 da manh�. Um retrato bem legal sobre o que foi a transi��o do Blues para o Rock. Eram os anos 60. Saias compridas, Harley Davidson, bailes. Entre os principais personagens da obra, destacam-se quatro m�es de adolescentes da �poca que tentavam, por linhas duras, impedir que se escutasse ou se mostrasse este estilo musical nos lugares freq�entados publicamente. O final do filme, mostra de forma tr�gica, um programa-tribunal transmitido pela TV, onde essas m�es tentam culpar o rock por ser t�o sensual e tirar as �crian�as� de casa e da igreja. Essa cena antecede a �ltima, onde a personagem principal, do qual nunca lembrarei o nome, foge de casa e escreve nas paredes do quarto �Uah Bap Lu Bap Lah Be�n Bum!�, refr�o imortalizado por Little Richard em Tutti Frutti. Ap�s sair pela janela de sua casa, se despede de alguns amigos, sobe na moto de seu namorado e, enfim, as letras do cast. P�ssimo final, mas descartem minha leiga opini�o cinematogr�fica. Quer ler sobre cinema, por favor, volte a p�gina e tente o respectivo link. Ser� que hoje ainda existem m�es que queiram ver seus filhos longe do som das guitarras, com tanta badala��o, Internet e Avrils Lavignes no mercado? Em um breve passeio pela Galeria do Rock, na rua 24 de maio, local mais popular entre este tipo de p�blico, pode-se constatar a quantidade de gente que bota medo. Coturno, acess�rios e roupas pretas, metais espalhados pelo corpo. Uma legi�o que procura, em geral cds, ingressos para shows e mais acess�rios. Bota medo mesmo, mas... o que eles v�o fazer? �Tem gente que me olha vestido assim, pensando que minhas correntes s�o para bater em algu�m, machucar. Eu s� achei legal e comprei para segurar a carteira... Eles n�o v�em o lado pessoal de quem curte�, afirma Caio C. Ballarini, visitante. N�o afirmo que tudo isso sirva para as �crian�as� se esconderem, numa farda que indica quem elas s�o e que tipo de m�sica ouvem. Tamb�m n�o posso dizer que todo roqueiro � bonzinho, quero somente a compara��o do nosso tempo em rela��o ao rock de antigamente. Aquele que fez a hist�ria de hoje acontecer. A �m�sica do inferno�, que levava �crian�as� aos embalos de s�bado � noite. Da� entro em outra quest�o e pe�o para os desavisados sobre minha inquietude musical que teve in�cio naquela madrugada, deixem de ler o texto neste ponto. Ser� que o Rock n� Roll foi, em alguma ocasi�o mal�fico, ou causou danos morais a qualquer cidad�o de bem? Aos que continuaram, deixo claro: Ningu�m entende o Rock n� Roll. Se ningu�m disse isso ainda, l� vou eu com as frases que podem ser usadas contra mim em qualquer vil julgamento. � mito que todos os que ouvem a �m�sica do sat� fiquem com qualquer instinto mal dentro de si. Mas talvez n�o seja mito que o p�blico que freq�ente os shows de rock esteja mais exposto ao contato com drogas. Mas posso ressaltar que � a mesma exposi��o em que se colocam os que participam de apresenta��es de reggae, pop, sertanejo, at� forr� e ax�, ritmos nordestinos. O Rock veio para nos proteger do medo de falar, da angustiante fal�cia das can��es de amor. Talvez tenha mesmo sido mal�fico a devasta��o que o C�lera fez nos anos 80, que levou jovens � revolta contra o sistema: �Toque um hino que rime/Com a hora, hora, hora/De gritar, de negar/Ao diabo os fascistas!/Deixe sua cabe�a funcionar/Para quem voc� trabalha?/Para quem voc� entrega/seu suor, sua alma?/Temos que mudar, MUDAR!� (R�dson/C�lera). Ou podemos considerar as meninas que Elvis levou ao del�rio nos anos 60 como algo que fere qualquer moral. Tudo partiu do preconceito que vinha do fato de muitos dos jovens que fazem esse g�nero musical serem t�o mal educados e n�o gentis. O que assistimos hoje � uma gera��o dos bonzinhos. Uma gera��o que no �mbito nacional, traz Pitty, Charlie Brown Jr., Capital Inicial, Ira e Skank. E fora das linhas brasileiras: Blink 182, Evanescence, Avril Lavigne e Nickelback. E presenciamos, nos jovens f�s, uma compila��o dos padr�es e a busca infinita pelo modelo rock. Uma p�s-modernidade do Rock n� Roll, pouco preocupada com qualquer mudan�a, com o futuro, mas antenada nos vestidos e camisetas, atitude que os faz inocentes, mas na moda. _____________________________________________________________________________ R�bson Assis, 22, estudante do 3� ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/ SP ([email protected]) |
| M�SICA Dying on the Delirious |
| Ter�a, 20 de abrilmar�o de 2005 |
| Inocentes, mas na moda |