| Ningu�m sobrevive a quarenta e um anos de carreira impunemente. Desde o seu nascimento, o ser humano busca meios que o fa�a se sentir acordado e trava uma verdadeira luta para se distanciar da morte ou tentar entende-la. Ao contr�rio do que ocorre na cultura oriental, os ocidentais n�o valorizam a velhice. No ocidente, ela n�o � sin�nimo de sabedoria, mas significa que o fim se aproxima e o tempo de vitalidade, sa�de e for�a f�sica se esvaia como na areia da ampulheta. Ainda n�o presenciamos a clonagem humana, portanto, faltam passos para que o homem ven�a Deus e se torne eterno. O mapeamento gen�tico � uma forma de descobrir doen�as e desenvolver a cura para elas, contudo, n�o creio que algum dia exista um ant�doto para todos as enfermidades, afinal, isto diminuiria sensivelmente o lucro da ind�stria farmac�utica, um dos mais poderosos bra�os do sistema que conhecemos. De volta aos nossos dias, muitos desenvolvem verdadeira obsess�o pelo combate ao tempo. O Brasil, por exemplo, que observa h� algum tempo o crescimento do n�mero de academias de gin�sticas, ocupa, segundo a empresa Fitness Brasil, a 4a. Coloca��o no ranking do mercado mundial da �rea, atr�s apenas dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. A Sociedade Brasileira de Cir�rgia Pl�stica (SBCP) divulgou dados que indicam crescimento de 1600% no n�mero de cir�rgias pl�sticas realizadas nos EUA entre 1992 e 2002. Se no in�co da d�cada de 90 ocorriam 400 mil cirurgias ao ano, o in�cio do s�culo XXI contabilizou cerca de 6 milh�es de opera��es. Existe, por�m, uma outra forma de evitar o contato com o avan�o da idade. O exerc�cio consiste em se vestir como adolescente, ouvir m�sica que os adolescentes ouvem e frequentar locais destinados ao p�blico teenager. No ambiente profissional � poss�vel identificar os representantes desta esp�cie nos escrit�rios espelhados dos principais centros empresariais do mundo. Basta verificar quem usa mochila ao inv�s de pasta, acompanhada de brincos e luzes nos cabelos. Na �rea da cr�tica especializada em artes, � o metrossexual da m�sica quem fomenta maior �dio por artistas que se mant�m na estrada sem que adicionem elementos novos, de acordo com as tend�ncias em ebuli��o. Este grupo costuma ca�ar obsessivamente novas bandas, de prefer�ncia em locais remotos como Isl�ndia, Afeganist�o, Eti�pia e Turquia. As novas descobertas, al�m de servirem como selo que os incluem no eixo dos privilegiados detentores de informa��o original, mant�m o pr�prio n�vel de testosterona em alta. Com eles, os Rolling Stones, que segundo alguns rumores, lan�ar�o em breve o �ltimo �lbum e far�o a �ltima turn� (e ela deve incluir o Brasil), n�o tem a menor chance. N�o creio que este realmente seja o fim. Trinta e seis �lbuns depois, talvez a banda n�o tenha muito mais a dizer sobre o universo, mas creio que seja t�o dif�cil se libertar da coca�na, quanto abandonar o prest�gio, o glamour e o status que s� um popstar em atividade conhece. Imagino como seja dif�cil ser lembrado, n�o como o autor de determinado novo disco, mas sim como quem comp�s aquele �lbum fant�stico, que agora faz parte do passado. Os Stones produziram obras incr�veis como �Between The Buttons�, �Sticky Fingers�, �Exile On Main Street�, �It�s Only Rock �N� Roll�, �Let It Bleed�, mas se mant�m vivos com t�tulos que apresentam altos e baixos. A �nica exce��o nos �ltimos 20 anos � �Voodoo Lounge�, de 1994, um bom cd do in�cio ao fim, sem discrep�ncias e sem desvios por tend�ncias contempor�neas como a disco music ou a m�sica eletr�nica, que abalaram a credibilidade destes brit�nicos. Mick Jagger e Keith Richards devem ter se divertido muito. Entre mulheres, drogas, amigos e inimigos, acumularam boas hist�rias para contar desde o lan�amento de �England�s Newest Hit Makers�, em 1964, um �lbum que continha apenas vers�es de cl�ssicos do blues. Quer saber? Jagger � um grande frontman, mas se a banda realmente abandonasse o barco agora, eu sentiria falta mesmo � de Richards, o guitarrista maluc�o com cara de tio solteiro e cabelos despenteados. Se este for realmente o apagar das luze, espero conseguir ver, pela �ltima vez, estes sujeitos no Brasil. Ao contr�rio do que acredita Samuel Rosa, ao menos eles s�o muito melhores do que o Skank. _________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 25, estudante do 3�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
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| Ter�a, 31 de maio de 2005 |
| Keith Richards, o ep�logo? |