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Ins�nia. Perfeita hora para ouvir as m�sicas mais tristes e mais bem pensadas do rock. Quando come�am a formigar meus sentidos � que coloco no r�dio �London Calling�, do The Clash, para saber at� onde vai o sono profundo de quem dorme comigo na mesma casa. � quando algu�m bate na porta e pergunta se eu n�o vou dormir hoje. Tento responder, mas n�o � t�o f�cil assim. N�o consigo sair. MSN, Orkut, Google. Drogas virtuais que inventaram para te deixar �ligad�o� a noite toda, enquanto todos dormem, silenciosos.

Da� vem a dor. A linha de telefone n�o ajuda, a conex�o da Internet come�a a cair. O disco da vez representa a raiva do momento, mesmo que isso n�o me ajude em nada. �Eu me vendo por bem menos do que voc� imagina�, Sick Terror. Ou�o 7 m�sicas que n�o d�o 10 minutos. Enj�o. � hora de tomar �gua. Volto para a frente da tela j� com o �Dead Fish ao Vivo� na m�o. Nessas horas penso em quanta gente nunca ouviu este cd, mas sabe o nome de todos os integrantes da banda. Me sinto rid�culo, mas ou�o 4 faixas.

�J� vai amanhecer�, grita algu�m, abrindo a porta com cara de sono. Me lembro daquele document�rio sobre Tom Jobim na TV Sesi e, num momento bo�mio, por�m sem whisky nem charutos, me lan�o a ouvir �P�rolas�, mesmo sem conhecer sequer uma letra inteira do disco. Diogo Mainardi disse uma vez para que n�o tiv�ssemos id�ias geniais na m�sica, isso apenas aumentaria nossa descren�a quanto as met�foras musicais brasileiras. Por um momento �nico, acredito em suas palavras.

Chega disso. Vou deitar na cama e assistir a MTV. Um clipe do ac�stico Nirvana. Uns comerciais sonolentos, nessa hora me pergunto se tudo isso � de prop�sito. Acordo no meio de �Pimp my Ride�, programa da MTV americana que faz Tunning em carros comuns. Vejo que o computador ainda est� ligado e n�o me lembrava de te colocado �Tamo a� na Atividade�, do Charlie Brown Jr, para tocar a essa hora. Tiro do som, desligo as luzes, me deito e fico olhando a gaveta de cds.

Billy Holliday, Camisa de V�nus, Eminem, CPM22, Viper, Zeca Pagodinho, Dance of Days, Weezer, Velocity e Grevision�rios. Meus g�neros, minhas escolhas. N�o preciso de r�tulo para ouvir o que bem entender nessa horas de sono em que o sono deveria falar mais alto. N�o tem ningu�m aqui, eu n�o preciso da camiseta preta e dos acess�rios de metal para colocar no som o �Roots� do Sepultura. Nessa hora eu n�o tenho escolha. Meus sentidos falam por mim. O que vier, de Roberto Carlos a Tonico e Tinoco, ser� bem recebido neste quarto. Me rendo no meio dessa leva de pensamentos in�cuos e coloco o �ltimo cd.

Durmo e esque�o de tudo, no �Conforto da Morte�, do Leprose.
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R�bson Assis, 22, estudante do 3� ano de Jornalismo da  Universidade Santo Amaro/ SP
([email protected])
M�SICA
Dying on the Delirious
Ter�a, 10 de maio de 2005
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Ou�a o que eu ou�o, mas n�o ou�a o que...
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