| Podem falar o que quiserem de J� Soares, quanto a ser um intelectual esnobe, seu egocentrismo impl�cito e �s vezes at� expl�cito em seu programa, no qual ele � a atra��o, por�m como escritor n�o h� o que falar, uma vez que J� � impag�vel na arte de escrever livros como: "O Xang� de Baker Street", "O homem que matou Get�lio Vargas" e o atual "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras". Em Xang�, J� mostra seu talento em todos os aspectos: no sentido liter�rio, na min�cia dos detalhes hist�ricos - como jornais da �poca, por exemplo -, em seu humor, criatividade, enfim, na arte de escrever. No Rio de Janeiro, em maio de 1886 se inicia uma grande trama. "Na esquina da rua do Regente com a rua do Hosp�cio, uma p�lida figura toda vestida de negro, chap�u de abas largas enfiado at� os olhos, espreita a sa�da dos �ltimos fregueses...�. No mesmo instante sai de um puteiro uma garota seminua e �bria, procurando um lugar menos sujo, onde pudesse vomitar. Nesse momento o homem de negro lan�a-se sobre ela com uma adaga numa das m�os e abre-lhe o pesco�o com precis�o cir�rgica. Sem pressa, o homem ajoelha-se ao lado da jovem puta, arranca-lhe as duas orelhas e tira de um violino Stradivarius, a corda "mi", a qual a amarra nos p�los crespos do p�bis do cad�ver. S� esse in�cio do livro j� deixa o leitor em pleno �xtase, a ponto de devorar suas 342 p�ginas em um dia, sem pestanejar. A saga se inicia com a primeira de tantas outras mortes praticadas por um serial killer que odeia mulheres prom�scuas, unindo-se ao sumi�o do �nico Stradivarius existente no Brasil, que pertence a amante de dom Pedro, ocasionando a vinda do mais famoso de todos os detetives, o inigual�vel Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro, Watson. O autor nos revela o que Conan Doyle nos omitiu: Sherlock perdeu a virgindade no Brasil, cheirava coca�na, fumava cannabis sativa, e sua dedu��o era uma com�dia. Mas Watson n�o deixa a desejar, n�s tamb�m descobrimos os seus podres. Ele era uma biba, chegou at� a receber a "Pomba-gira" e devido a sua visita ao pa�s, hoje saboreamos a t�o idolatrada "caipirinha". Acho que n�o preciso dizer que o final � eletrizante e que nem o melhor dos leitores viciados em contos policiais consegue descobrir com facilidade o assassino. ________________________________________________________________________________ Kueynislan Teod�sio, 24, estudante do 2�.ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| LITERATURA |
| Ter�a, 24 de maio de 2005 |
| "O XANG� DE BAKER STREET" (J� Soares) |