| "N�o queremos sobreviver, queremos viver" Esta frase escrita por um jovem num muro em Lima (Peru), expressa com absoluta pertin�ncia o esp�rito que emana de N�s Dizemos N�o, livro do escritor uruguaio autor do aclamado As Abertas da Am�rica Latina e da Trilogia Mem�rias do Fogo. Em N�s Dizemos N�o como de praxe, Galeano nos brinda com um texto exuberante e vivo sobre a Am�rica Latina; um continente oprimido, violentado e sobretudo humilhado, clamando veementemente pelo resgate da dignidade que a hist�ria lhe roubou. Com admir�vel simplicidade, Galeano vai apontando dados e fatos que ilustram bem as engrenagens do mecanismo perverso que torna a humanidade mais desumana, elevando o dinheiro ao status de divindade, notoriamente os organismos financeiros (FMI, Banco Mundial) que como instrumentos do capitalismo internacional, sobretudo norte- americano, imp�e governos e pol�ticas de acordo com a conveni�ncia de seus interesses. Neste sentido o continente latino americano tornou-se um terreno f�rtil de onde generosamente, brotaram governos t�o ditatoriais quanto submissos, fortunas para poucos e mis�ria para muitos, opul�ncia de uma minoria alimentada pela fome da maioria, e mesmo a recente democratiza��o como salienta Galeano, foi extremamente eficaz apenas em socializar o �nus da exorbitante divida externa que as ditaduras deixaram como lembran�a junto com milh�es de corpos mortos pela fome ou tortura. Outro aspecto presente, diz respeito � impunidade end�mica que solapa o continente, da esfera militar � pol�tica, levando invariavelmente a descren�a popular; "...a Faculdade de impunidade nos induz a desquerermo-nos e desacreditarmo-nos" os exemplos panamenho e colombiano usados por Galeano n�o deixam d�vidas. Num resgate da mem�ria latina, Galeano reflete sobre a teoria do fim da hist�ria, tese que ganhou espa�o com Fukuyama e que t�o bem serviu aos prop�sitos de al�ar o Neoliberalismo � condi��o de destino final e inconteste da humanidade; "Como Deus o capitalismo tem a melhor opini�o sobre si mesmo, e n�o duvida de sua pr�pria eternidade". Na contram�o do discurso corrente, os 30 anos da revolu��o cubana s�o reverenciados num pequeno esbo�o n�o isento de criticas, mas como uma instigante referencia a um pais que insiste em se manter de p�, enquanto a maioria absoluta prefere se ajoelhar. Sugestivamente o trabalho do fot�grafo brasileiro Sebasti�o Salgado tamb�m merece aten��o do autor, pois a sensibilidade social e a valoriza��o da mem�ria coletiva s�o sem d�vida, elos que inequivocamente ligam estes dois artistas engajados. Dizendo n�o, Galeano invoca os ideais socialistas de um mundo mais humano e igualit�rio, mas de uma humanidade e um igualitarismo que n�o permuta a liberdade, como ele diz; � preciso recome�ar,descobrir, criar , imaginar e sobretudo exercer o direito de sonhar. O livro que tem a capa assinada por Oscar Niemeyer ,termina em primeira pessoa de modo t�o irretoc�vel que termino esta resenha transcrevendo seu ultimo par�grafo: "Este � o meu depoimento, Confiss�o de um dinossauro: Talvez. Em todo caso, � o depoimento de algu�m que cr� que a condi��o humana n�o est� condenada ao ego�smo e � obscena ca�a ao dinheiro, e que o socialismo n�o morreu, porque ainda n�o era;que hoje � o primeiro dia de uma longa vida que tem para viver" ____________________________________________________________________________________________ Edivan Costa Gomes, 29, formado em Hist�ria pela Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| LITERATURA |
| Ter�a, 26 de juho de 2005 |
| N�s Dizemos N�o (Eduardo Galeano) |