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Em termos hist�ricos, quando pensamos em genoc�dios, nossas mentes reportam-se normalmente as atrocidades nazistas, geograficamente mais pr�ximos; aos massacres espanh�is que dizimaram as civiliza��es pr�- colombianas, aos conflitos �tnicos africanos e mais recentemente nos paises que integravam a extinta URSS, eventos tr�gicos que mancham a hist�ria da humanidade, mas curiosamente parecem que nunca tiveram lugar na  hist�ria brasileira, pois mesmo a aniquila��o de nossos �ndios � ofuscada pela epop�ia her�ica dos Bandeirantes.

A historiografia oficial, � eximia na arte de ocultar, distorcer e reinventar nossa hist�ria de acordo com as conveni�ncias das elites; criam-se her�is e s�mbolos (Tiradentes na republica que o diga!), encobre-se com o manto asfixiante do ostracismo qualquer fato, pessoa ou id�ias que de algum modo se oponham � ordem estabelecida, com requintes de profissionalismo.

Possivelmente o exemplo mais significativo na recente hist�ria latino americana e brasileira, refere-se a Guerra do Paraguai (1964-1970) quando a Tr�plice Alian�a (Brasil, Uruguai e Argentina) destru�ram e dizimaram o que se estima em 69% da popula��o paraguaia, destes, 95% da popula��o de homens adultos.

A hist�ria oficial desta "gloriosa" guerra, criou her�is reverenciados como Duque de Caxias e monstros b�rbaros como Solano Lopez,  ent�o presidente paraguaio.

� contrapondo-se a esta linha historiogr�fica que em 1979 insurge-se a obra do paulista J�lio Jos� Chiavenato - Genoc�dio Americano: A Guerra do Paraguai; atrav�s de farta documenta��o o autor desmonta sem nenhuma dificuldade o discurso cristalizado oficialmente. Analisando a conjuntura social, pol�tica e econ�mica da Am�rica Latina e sua inser��o no capitalismo mundial, ele aponta o motivo que levou a Guerra: O grau de autonomia paraguaia frente ao imperialismo ingl�s e aos paises latinos.

Com um parque industrial desenvolvido, incluindo a Siderurgia e um modelo de independ�ncia econ�mica, o Paraguai n�o apenas despontava como um concorrente dos ingleses na Am�rica, como cometia o imperdo�vel erro de ostentar uma posi��o exemplar de desenvolvimento alternativo ao sistema espoliativo imposto pela Inglaterra a outras na��es do continente.

Chiavenato explora os bastidores que deram forma a Tr�plice Alian�a, atrav�s de documentos da �poca ele mostra como a partilha da republica paraguaia estava planejada muita antes do conflito se materializar, o autor n�o tem d�vidas ao afirmar que  o �xito da empresa impunha como condi��o o exterm�nio de um povo.

Contudo, a argumenta��o de Chiavenato n�o se deixa apanhar pelas armadilhas do manique�smo, ele n�o conta uma hist�ria de mocinhos e bandidos, t�o ao gosto dos que preferem discursos simplistas; com aguda perspic�cia, o autor tra�a um esbo�o da hist�ria Paraguai sem excluir as defici�ncias que levaram a guerra e a inevit�vel derrota.

Genoc�dio Americano: A Guerra do Paraguai � uma obra de import�ncia significativa, n�o apenas pelo conte�do, mas principalmente pelo direcionamento corajoso de sua pesquisa, se comete erros interpretativos, tem o m�rito de n�o fechar a porta atr�s de si, a outros trabalhos e interpreta��es, ao contr�rio; mostra que a hist�ria n�o � uma via de m�o �nica, como querem nos fazer acreditar os que dela querem se apropriar em proveito pr�prio.
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Edivan Costa Gomes, 29, formado em Hist�ria pela Universidade Santo Amaro/SP
([email protected])
LITERATURA
Ter�a, 05 de juho de 2005
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Genoc�dio Americano: A Guerra do Paraguai
(J�lio Jos� Chiavenato)
Contrapondo-se a hist�ria oficial, Chiavenato desnuda uma das maiores farsas da historiografia latino americana
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