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Imaginem a seguinte situa��o: um garoto de uns 15 anos, vivendo em um bairro qualquer na cidade de Mau�, precisa sair para procurar emprego. Num belo domingo, ele compra um jornal, e logo se depara com duas propostas interessantes, que lhe serviam �s suas necessidades.
Ambas propostas s�o para trabalhar como caixa de supermercado. �Bom, o servi�o � o mesmo, vamos ver o que eles t�m pra mim�, pensa.

A primeira oferta � de uma rede de supermercados relativamente grande, para trabalhar em S�o Paulo, e o sal�rio � de R$700,00. �Bom, muito bom! Vejamos a outra...�
Para sua surpresa, a segunda era de uma empresa concorrente da anterior. S� que ele trabalharia a algumas quadras da sua casa, e receberia R$320,00. �P�xa, que merreca!�, pensou. O garoto logo se sentiu tentado a escolher a primeira oferta, afinal, o sal�rio era mais que o dobro. Mas ele pensou, e pensou, e chegou a uma conclus�o: era melhor trabalhar na segunda empresa.

Acompanhe seu racioc�nio: se trabalhasse na primeira, teria de usar tr�s condu��es, tanto na ida quanto na volta. Cada uma delas custa, em m�dia, R$2,00, o que significa, pelo menos, R$12,00 por dia. �Como eu vou ter que ir e voltar de l� umas 24 vezes no m�s... deix�eu ver... 24 vezes R$12,00... d�o R$288,00!�
Al�m disso, lembrou o garoto que deveria fazer uma refei��o fora de casa. �Bom, se eu pagar uns R$5,00 por refei��o, no m�s eu devo gastar ent�o R$120,00.�

Leitores, pensem bem. Este menino, se trabalhasse nesta primeira empresa, ia gastar todo m�s R$408,00. como lhe ofertaram R$700,00, no final ia ficar somente com R$292,00. �Mas se eu trabalhar na segunda, dificilmente vou gastar alguma coisa�. Ele tem raz�o. Podia muito bem trabalhar de bicicleta, e a refei��o poderia ser feita em casa. Gasto, s� em ocasi�es especiais.
Bom, vamos agora dar nomes aos bois. Este garoto se chama investidor internacional. As empresas tamb�m t�m nome. A primeira se chama Brasil, e a segunda, EUA. Os sal�rios foram batizados de outra forma: v�o se chamar taxa de juros. E, se o dinheiro que o menino ganha tem nome, o que sai tamb�m tem que ter. ele vai se chamar risco pa�s.

Note que, mesmo a taxa de juros do Brasil sendo bem mais alta que a dos EUA, os investidores preferem este pa�s �quele. Claro, pois seu retorno vai ser muito maior, dado que o risco pa�s estadunidense (n�o me corrijam, n�o vou cham�-los de americanos) � bem maior que o brasileiro. Ou seja, no Brasil eu posso at� ganhar mais, por�m o risco de se perder dinheiro � bem maior. Nem � preciso explicar o pro qu� (cobrem isso de mim mais tarde, falar sobre o �ndice risco pa�s).

Esta � a primeira parte de uma s�rie de artigos, no qual eu, humildemente, tentarei mostrar para voc�s, leitores, que economia n�o � um monstro. E, esmo se for, n�o � nenhum bicho que n�o possa ser domesticado. Tamb�m � minha inten��o fazer com que voc�s compreendam que o caderno de economia tem outras fun��es al�m de embrulhar peixes e bananas.
N�o percam esta coluna semana que vem. Falaremos um pouco sobre taxa cambial. At� l�.
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F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP
([email protected])

ECONOMIA F�CIL
Ter�a, 26 de abril de 2005

Juros, infla��o, c�mbio e outros rolos - Parte 1
Todo mundo ouve falar desses termos na televis�o, no r�dio, na Internet, em sinais de fuma�a.
Mas que s�o essas coisas que rumam nossas vidas � e, pior, sem a gente saber direito como?
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