| Antes de come�ar, quero dizer umas palavrinhas. O que me motivou a escrever este artigo foram os desenhos animados. Mas voc�s s� v�o entender o porqu� no decorrer da leitura, confiem em mim. Fiquei at� meio relutante, n�o sabia se era pertinente public�-lo nesta coluna... Mas, vamos l�. Tecnologia � um neg�cio meio parad�xico (se � que existe essa palavra). Ao mesmo tempo em que ficamos maravilhados com as possibilidades antes somente imaginadas por escritores e cineastas criativos, temos um medo terr�vel dos avan�os tecnol�gicos (coisa que j� foi abordada inclusive por escritores e cineastas). Para demonstrar isso, n�o preciso ir muito longe. D� uma olhada nas pessoas em sua volta, com quem voc� trabalha ou estuda, com quem voc� convive, namora, toma umas. Algu�m, em algum momento, j� deve ter comentado que odeia os r�dios rel�gios de hoje, que n�o consegue programar o v�deo cassete, que os carros de antigamente eram bem mais simples de se consertar... Eu mesmo me encaixo neste grupo, tenho verdadeiro pavor de telefone celular. E olha que n�o sou muito mais velho que voc�, pode olhar no rodap� a minha idade. Esse medo da inova��o talvez tenha origem no fato de que a tecnologia, em certo aspecto, substitui o ser humano. � isso que a maioria das pessoas sente, e ningu�m gosta de saber que � �substitu�vel�. Fica aquele sentimento de �eu n�o presto pra nada�. A partir da�, v�m aquelas discuss�es do tipo �rob�s tomando empregos�, ou �a guerra dos humanos contra as m�quinas�. Existe tamb�m o outro lado, de gente que defenda cegamente a tecnologia. Estas pessoas alegam que ao passo que o trocador de �nibus foi para a rua, o cara que desenvolveu a maquininha que l� o bilhete foi empregado. Se operadores de m�quinas industriais ficaram obsoletos, o mercado vai precisar de operadores sistemas, o que faz com que a tecnologia n�o substitua empregos, mas sim os transforma em algo mais moderno. Agora, vem a quest�o: quem est� certo nesta guerra? O engenheiro mec�nico que ficou desempregado porque um computador faz o seu servi�o bem melhor e com menos custo; ou o engenheiro de sistemas, que conquistou seu lugar ao sol? Quem sou eu para responder a esse dilema humano, mas vou tentar passar o que eu acho. Eu n�o concordo com nenhum dos dois. Em primeiro lugar, na economia, quem empreende tem sempre o interesse de que seu neg�cio seja mais competitivo. Isto se consegue atrav�s de um diferencial: ou voc� tem maior qualidade, ou prazo de entrega menor, ou pre�os mais baixos etc. J� vimos que o custo da m�o de obra � muito alto, e normalmente � o primeiro da lista a ser cortado. Em seguida, temos de ter em mente que uma tecnologia s� � empregada se ela realmente aumentar a competitividade. De que adiantaria instalar um puta maquin�rio se o custo do produzido vai subir l� na casa do chap�u? O consumidor com certeza vai abrir m�o dessas inova��es todas por algo semelhante que seja mais barato. Exemplo hipot�tico: �caneta com Internet�. Imagina a quantidade de dispositivos, materiais, conhecimentos empregados num produto desse, e pra qu�? Caneta serve para escrever, e qualquer Bic sabe fazer isso. N�o basta agregar atributos, a tecnologia deve servir ao consumidor. Mas, nada disso � o mais importante. Por mais que n�o que n�o queiramos, inova��es tecnol�gicas fazem algumas pessoas �menos necess�rias�. Mas isso s� ocorre com quem n�o percebe as oportunidades que ela traz. Eu poderia facilmente dizer aqui que �� muito simples, basta aprender a trabalhar com isso�. Mas, todos sabemos que n�o � assim que funciona. Quando falo de oportunidades trazidas pela tecnologia, me refiro ao que ela n�o consegue, a criatividade. Tenho um professor que disse uma vez que n�o nos import�ssemos se sonharmos algo �imposs�vel�, porque algu�m, em algum lugar do mundo, sabe como tornar o seu sonho em realidade. N�o � nada ut�pico que ele disse. Lembre sempre que as pessoas s�o a economia e n�o o contr�rio (d� uma olhada nas mat�rias anteriores). S�o as pessoas que fazem a diferen�a. Tudo de tecnologia que existe foi criado por algu�m que achou que algo poderia ser mais eficiente. Algu�m que teve uma id�ia de reduzir tempo, de deixar mais barato, de ficar mais saboroso. O que meu professor disse, nas entrelinhas, � que o ser humano det�m um recurso que tecnologia alguma no mundo � capaz sequer de simular. Hoje, o mercado est� cheio de inova��es, mas � escasso de id�ias novas. Uma dica que talvez valha ouro: se voc� tiver boas id�ias, voc� estar� com um p� dentro de qualquer emprego. QUALQUER UM. Ter boas id�ias � insubstitu�vel. Ah, �, quase ia esquecendo. O que tudo isso tem a ver com desenhos animados? � que eu adoro os desenhos antigos. Eles s�o o melhor exemplo de boas id�ias que precisaram de tecnologia m�nima para se fazer algo legal. Veja os desenhos mais modernos, e voc� vai entender o que digo: lindos, maravilhosos, super bem feitos... e extremamente chatos! O mercado est� ou n�o est� escasso de boas id�ias? ___________________________________________________________________________________________ F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP ([email protected]) |
| ECONOMIA F�CIL |
| Ter;a, 30 de agosto de 2005 |
| Tecnologia: vil� ou hero�na nos dias de hoje Para a economia, a tecnologia deve fazer mais al�m de agregar valor. Para as pessoas, a discuss�o ultrapassa a quest�o de substituir ou eliminar empregos obsoletos |