| Quem j� acompanha esta coluna sabe que h� tempos venho tratando do aumento na taxa Selic. Para quem n�o sabe, esta taxa, que regulamenta os juros banc�rios, � a maior do mundo. Ou seja, se todas as moedas do mundo valessem a mesma coisa, e voc� precisar tomar um empr�stimo, no Brasil � onde voc� pagaria mais caro pelo cr�dito. Agora, imaginem um empres�rio no Brasil, qualquer um, dono de padaria, de farm�cia, de shopping center, que precisa de resultados imediatos para fazer seu neg�cio continuar ativo. Se ele precisar fazer um investimento qualquer, vai penar bastante com a taxa de juros. Por�m, ele n�o pode "inventar" receita se o seu mercado n�o estiver favor�vel. Ent�o, para continuar competitivo, ele vai ter que cortar custos de algum lugar. Quando uma empresa chega neste ponto, o mais prov�vel � que ela corte custos com m�o de obra. Isso acontece porque, em muitos casos, tal custo � o mais alto de todos. Por�m, esta n�o � a �nica forma de redu��o imediata de despesas. Os empres�rios podem optar por deixar de pagar os fornecedores, por exemplo. Mas fazer isto ou aquilo depende da pol�tica da empresa, ou da pessoa. Eu, por exemplo, quando estou com as contas apertadas (eu nem deveria contar isso, mas j� que comecei...), eu deixo de pagar uma mensalidade da faculdade. A raz�o � muito simples: ela me cobrar� multa de, aproximadamente, 6% ao ano. S� que, se eu pag�-la, entro no cheque especial, cuja taxa de manuten��o oscila entre 10 e 14%. Ou seja, dever � faculdade me custa menos, ent�o opto em n�o pag�-la, e negociar a d�vida depois. E, se ela estiver desesperada pelo dinheiro, � at� capaz que ela me conceda um desconto! Neste caso, eu vou, iminentemente, ficar devendo para algu�m. Cabe a mim analisar para quem, banco ou faculdade. Ou seja, quando eu chego neste ponto, ou o banco ou a faculdade t�m uma grande chance de ficar sem dinheiro. Se transpusermos esta situa��o a uma macroeconomia (Brasil, por exemplo), temos a� o famoso RISCO PA�S. Risco pa�s, portanto, � um �ndice que calcula a probabilidade de uma na��o n�o pagar as suas d�vidas. Seu c�lculo usa como base uma macroeconomia que seja est�vel, com m�nimas possibilidades de calote. � esse pa�s, o risco ser� adotado como zero, e os demais s�o calculados com base neste. Adivinha quem � o risco zero do Planeta Terra? Nem preciso dizer, ali�s nem conv�m! O fato � que, para n�s, brasileiros, a pol�tica de manuten��o da taxa Selic acarretou no aumento do risco Brasil. Os juros altos levaram a um leve aumento no �ndice de inadimpl�ncia (como eu fa�o com a faculdade). Tais n�meros s� n�o foram maiores porque os empres�rios brasileiros, macacos velhos em crise econ�mica, precaveram-se deixando de fazer d�vidas. No entanto, outro fator contribuiu indiretamente para a alavancagem do risco Brasil: a crise pol�tica. Na verdade, os efeitos desta crise, apesar de reais, ainda n�o chegaram com tanta for�a, porque tais problemas n�o agem diretamente na economia, e seus efeitos ainda n�o ganharam tanto �mpeto. S� que, para o investidor internacional, existe um outro fator: a Argentina. Para quem tem investimentos na Am�rica do Sul, o mercado "hermano" est� muito mais atraente que o "tupiniquim". Isto n�o � nenhuma surpresa: o crescimento do PIB argentino chega � 7% (2o. maior do mundo), o brasileiro rasteja para atingir os 5,1%; o d�lar custa, em pesos, entre 2,90 e 3,00, j� em reais varia de 2,30 a 2,35 (moedas desvalorizadas atraem investidores estrangeiros); os argentinos t�m evitado fazer d�vidas internacionais h� alguns anos, portanto n�o t�m compromissos de longo prazo, j� os brasileiros, entusiasmados com a queda do d�lar, passaram a importar mais, o que elevou o endividamento no exterior. Tudo isso sem contar as estrat�gias de negocia��o de t�tulos, muito mais favor�veis do que no Brasil. Todos estes dados fizeram com que, de agosto de 2004 at� hoje, o risco Brasil tivesse um aumento de mais de 17%. � um n�mero alt�ssimo. At� agora, a crise do "mensal�o" n�o tem afetado decisivamente na economia, mas � algo que acaba com a credibilidade do pa�s. Junte esses problemas internos com uma pol�tica econ�mica desfavor�vel ao investimento, acrescente a isso um vizinho muito mais competitivo, e voc� ter� um cen�rio econ�mico extremamente fr�gil. Neste momento, o empres�rio brasileiro, principalmente quem tem neg�cios no exterior, deve ter cautela. Essas turbul�ncias j� come�am a fazer efeito na economia e, apesar da situa��o n�o ser t�o desesperadora, as perspectivas, ao menos de curto e m�dio prazos, n�o s�o nada boas. ___________________________________________________________________________________________ F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP ([email protected]) |
| ECONOMIA F�CIL |
| Ter;a, 09 de agosto de 2005 |
| Juros altos e crise elevam risco e ajudam vizinho A perspectiva de aumento de inadimpl�ncia, agregada � instabilidade do cen�rio pol�tico nacional que se estabeleceu nos �ltimos meses, afetou os mercados brasileiro e argentino |