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Ol�, meus(minhas) queridos(as)! Como v�o esta semana?
� sempre importante perguntar isso. Apesar de que na maioria das vezes, responde-se somente �bem, obrigado�. N�o se responde exatamente se est� bem ou mal. Apenas cumpre-se um protocolo. N�o digo que isso � bom ou ruim, mas apenas ressalto a import�ncia de nos relacionar, n�o importa com quem, n�o importa o grau deste relacionamento.

Mas, � essa altura, aqueles que, entediados, ainda n�o acessaram outro link devem estar se perguntando: �o que, diabos, isso tem a ver com a economia?� Simples, amigos, e eu s� precisaria de quatro palavras para responder: PESSOAS S�O A ECONOMIA.

O que me motivou a escrever estas palavras foi uma entrevista que eu li com o argentino Adolfo P�rez Esquivel, arquiteto, escultor e diretor da entidade denominada Servi�o de Paz e Justi�a. A entrevista foi concedida ao jornalista Paulo Braga, e divulgada em 29/04/2005, na edi��o n� 1251 do di�rio Valor Econ�mico vers�o para Internet.

Na verdade, o �Valor Online� publicou outras tr�s entrevistas com economistas renomados, todos ganhadores do Nobel. Os tr�s falaram sobre c�mbio, juros, produ��o, renda, parcerias, risco-pa�s, swap e mais um monte de coisas. Mas nenhum deles foi t�o enf�tico quanto Esquivel ao ressaltar que todo esfor�o econ�mico deve ser para melhorar a vida das pessoas.

Esquivel criticou duramente as a��es pol�ticas do governo argentino na d�cada de 90. Para ele, o sistema de subs�dios � d�vida privada foi prejudicial ao pa�s. �O presidente do Banco Central (Domingo) Cavallo transformou d�vida privada em d�vida do Estado. Foi transferida ao povo e n�s estamos pagando�. Para ele, a quest�o da d�vida externa deveria ser analisada com maior crit�rio, observando o que � melhor para o povo. �At� hoje est�o pedindo ao Haiti que pague a d�vida externa, por exemplo, e n�o lhes interessa que eles sejam o povo mais miser�vel de todo o continente�.

Pessoalmente, n�o sou t�o duro quanto Esquivel ao analisar a Argentina. Cavallo errou na sua estrat�gia econ�mica, os subs�dios foram, de fato, inconseq�entes. Mas os esfor�os do presidente atual, Nestor Kirchner, podem ser considerados �acrob�ticos�, com a execu��o de 30% do valor devido. N�o havia alternativa para ele, a n�o ser negociar com os credores. Estes, por sua vez, t�m de aceitar a negocia��o, caso queiram ver seu dinheiro de volta.

Por outro lado, eu concordo quando ele afirma que deveriam ser adotados crit�rios mais �humanos� para execu��o de d�vida externa. Quero dizer que o credor poderia adotar uma pol�tica de desenvolvimento sustent�vel de seus devedores, ao inv�s de arrancar-lhes todo o sangue. � il�gico desgastar toda uma fonte de riqueza; da mesma forma deve ser entendida a capacidade produtiva de um pa�s. N�o � � toa que se criam leis sobre reflorestamento, que se investe em combust�veis alternativos etc. N�o � frescura de ecologistas desocupados, por mais que pare�a.
Al�m disso, na entrevista, Esquivel comentou diversos assuntos, dentre eles o governo Lula. Para ele, o presidente brasileiro "herdou um enorme elefante na loja de cristais". Vale lembrar que, nesta �poca, o caso da CPI dos Correios n�o tinha tantos holofotes como hoje. Mas o economista avalia que Lula faz um governo regular. "H� responsabilidades de Estado, deixadas pelos governos anteriores, n�o apenas o do presidente Fernando Henrique Cardoso, que quem assumiu n�o pode modificar de repente. Isso � o que muitos setores da sociedade brasileira n�o entendem".

Neste aspecto, Esqu�vel elogia o empresariado brasileiro, e compara com os argentinos: "O empres�rio brasileiro tem mais consci�ncia nacional que o argentino e tem uma capacidade de prevenir-se, enquanto aqui eles t�m a capacidade de especular". Neste ponto, ele fala claramente que a Argentina pecou em investimentos de alto giro e retornos mais r�pidos, por�m inst�veis e de riscos alt�ssimos, no lugar de estabelecer uma forte economia de base e de infra-estrutura.

Esqu�vel comentou sobre a rela��o dos pa�ses latino-americanos com os EUA: "N�s n�o somos respeitados. Nos Estados Unidos h� muita gente solid�ria com a Am�rica Latina, mas as pol�ticas do governo n�o o s�o. A imposi��o da �rea de Livre Com�rcio das Am�ricas (Alca), a d�vida externa, as bases militares em todo o continente, o Plano Col�mbia. Com que direito os Estados Unidos bloqueiam Cuba por mais de 40 anos? Como podemos estar de acordo com isso? No entanto, � claro que � necess�rio abrir um espa�o de di�logo com os Estados Unidos, encontrar os caminhos de coopera��o, de respeito m�tuo, n�o de imposi��o". Interessante!

Para encerrar, amigos, eu me identifiquei com este humanista. Eu sei que jornalismo deveria ser imparcial, mas neste caso, n�o consigo manter tal postura. Esqu�vel � um caso raro, sui generis, entre os te�ricos de economia. De todos a quem j� li qualquer coisa, ou j� ouvi a respeito, este homem foi o �nico de todos que lembrou que s�o as pessoas que fazem a economia, e n�o o contr�rio.

"O que � a economia? N�o � apenas somar e subtrair. Por tr�s dessas somas, h� rostos de homens, mulheres e crian�as que est�o nos questionando". (Adolfo P�rez Esquivel)
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F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP
([email protected])

ECONOMIA F�CIL
Quarta, 03 de agosto de 2005
Pessoas s�o a economia
Segundo Adolfo P�rez Esquivel, Nobel de economia em 1980, a economia n�o deve ser entendida como uma abstra��o, mas algo que influencia diretamente na vida das pessoas
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