| Em 29 de junho passado, Karl Falkenberg, diretor geral de com�rcio da Comiss�o Europ�ia, afirmou em um f�rum que existem in�meras diverg�ncias nas negocia��es da Uni�o Europ�ia com o Mercosul. Segundo ele, a maior parte das dificuldades est� pautada na insist�ncia do bloco sul-americano para exporta��o de produtos agr�colas, bem como sua resist�ncia na recep��o de capital de investimentos e servi�os dos europeus. Falkenberg ainda ressaltou que os neg�cios efetuados entre os dois blocos representam 3% do com�rcio da UE, enquanto que o mesmo valor eq�ivale a 25% das transa��es do Mercosul. Calma, pessoal. Ainda n�o virei um colunista de economia normal, que ca�am palavras nos livros te�ricos s� para mostrar que entendem do assunto. Traduzindo, o acordo comercial entre a UE e o Mercosul pode ir para o saco. Os europeus afirmam que n�o v�o comprar os produtos agr�colas dos americanos enquanto estes n�o deixarem aqueles penetrarem no seu mercado de capitais. A �ltima vez que me lembro de uma discuss�o parecida foi l� em casa. Eu era o dono do video-game, e meu irm�o da bola. Ele n�o me emprestava a bola, alegando que eu ia estrag�-la. E eu n�o emprestava o video-game, dizendo que ele n�o sabia jogar. Ele n�o cedia nem mesmo quando eu argumentava que ele n�o usava a bola para nada, porque ele n�o tinha habilidade. Era verdade, ele s� era "permitido" participar do time porque era o dono da bola. Seus colegas odiavam isso. Eu tamb�m. Mas ele nunca cedeu. O problema que n�s, sul-americanos, estamos sofrendo aqui � semelhante ao caso de mim e do meu irm�o. Cada um dos pa�ses det�m uma for�a, ambos est�o interessados na for�a do outro, mas nenhum dos dois quer abrir m�o da sua. Vamos analisar o lado europeu primeiro. Dificilmente eles ceder�o por espont�nea vontade facilitar o com�rcio dos agr�colas sul-americanos. Atualmente, a UE � um dos maiores produtores e exportadores deste g�nero. � sabido que existem umas "sabotagens" comerciais. Mas, a parte as "dick vigarices", o bloco europeu � muito conciso em proteger o seu mercado interno. J� do nosso lado (para variar, o lado mais roto da corda), a situa��o � mais delicada. Apesar do Mercosul ser maior produtor e exportador do que a UE neste setor, este � seu maior cliente. � como a hist�ria do meu irm�o, o dono da bola. Foi isso que Falkenberg quis dizer quando afirmou os n�meros relativos ao com�rcio entre os dois blocos. Ou seja, para ele, o Mercosul n�o � t�o relevante para a UE no com�rcio, mas n�o pode-se afirmar o contr�rio. Mas o problema n�o � s� esse. Falkenberg afirmou que uma moeda de troca para o Mercosul seria a abertura para investimentos europeus. Isso � extremamente perigoso para nossa economia, dependendo da forma como for feito. Vamos pensar na estrutura econ�mica de um pa�s. As pessoas consomem, imaginemos, uma geladeira. O vendedor desta geladeira a comprou da montadora. Essa montadora comprou as pe�as de um monte de produtores de pe�as de geladeira. E esses produtores de pe�as compram a�o, cobre e pl�stico dos produtores de mat�rias primas. Agora imagine que tr�s empresas europ�ias queiram montar uma f�brica cada uma no Brasil. A primeira vai produzir a�o, a segunda produzir� cobre e a terceira vai fazer pl�stico. Que coincid�ncia, exatamente as tr�s mat�rias primas necess�rias para produzir geladeiras! A�, vamos supor que elas passam uns 20 anos no Brasil. Vamos imaginar tamb�m que no 21o. ano, os tr�s produtores cheguem uns para os outros e dizem: " ora, eu enjoei do Brasil"; "ora, que coincid�ncia, eu tamb�m!"; "ora, pois n�o � que eu sinto o mesmo?". E os tr�s decidem abandonar o Brasil, levando cada um a sua empresa para qualquer outro canto do mundo. Para a economia nacional, isso seria terr�vel. Note que muitas pessoas dependem desses tr�s produtores: os fabricantes de pe�as, os montadores, os vendedores, e, mais importante, n�s, os consumidores. Supondo que, como ningu�m mais no pa�s pratica esta atividade, o governo teria que importar mat�ria prima. Se n�o tiver dinheiro, fica sem produzir. Sem produzir, sem lucro. Sem lucro, preju�zo. Com preju�zo, corte de custos. Com corte de custos, demiss�es. Com demiss�es, menos gente comprando. Com menos gente comprando, lucro menor. Se eu continuar, vai � noite inteira! Para sair do ciclo: empr�stimo no FMI. E isso significaria aumento da d�vida externa. � buraco que n�o tem mais fim! Este � o receio do Mercosul em ceder �s press�es da UE. A situa��o econ�mica, neste caso, em nada diferiria da �poca colonial. Sem d�vida, o bloco sul-americano est� do lado mais fraco. Para solucionar este problema, � necess�rio analisar bem o grau de relev�ncia da participa��o europ�ia na economia americana. Como num casamento, ambos ter�o que ceder. Por�m, do lado de c�, deve-se estudar muito bem o que pode ser cedido, com regras s�lidas, para que o Mercosul possa atingir seus objetivos sem sair perdendo, e assim crescer economicamente. ______________________________________________________________________________________ F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP ([email protected]) |
| ECONOMIA F�CIL |
| Ter�a, 26 de julho de 2005 |
| Vota��o come�a hoje Representantes dos 46 pa�ses integrantes do BID se re�nem a partir de hoje em Washington para decidir o nome do 4o. presidente do BID. Favorito � colombiano, mas brasileiro tem chance |