| - Bom dia, professora! - Bom dia... A professora olha para mesa, com alegria e surpresa. - Quem deixou essa ma�� e essa rosa aqui? Uma m�ozinha se levanta. - Todo mundo, 'fessora. � que vai chegar as f�rias... - ... e agente quis dar um presente. - Ah, que amores! Tamb�m vou sentir falta de voc�s, meus queridos! Muito obrigada, voc�s s�o muito gentis! Mas isso n�o quer dizer que n�o vamos ver a aula de hoje, heim?! - N�o, n�o, p'sora! Manda bala! Todo mundo ri. Inclusive a professora. - Tudo bem, pequenos. Aten��o: "As confus�es geradas pela moeda papel se estenderam at� meados da Idade Moderna. A situa��o estava insustent�vel. Ningu�m sabia mais o que tinha, se os pap�is eram verdadeiros ou falsos, nada. Algu�m tinha que organizar a farra. A solu��o foi o governo. Como ningu�m conseguia controlar a situa��o, foi delegado ao governo criar mecanismos que evitassem as fraudes correntes. Apenas um cacique controlando os �ndios tem mais chance de sucesso do que se fossem v�rios. O governo, por sua vez, tratou inicialmente de proibir a emiss�o de moeda papel, por quem quer que seja. Essa tarefa, agora, caberia a ele, somente. Tais moedas papel seriam emitidas, agora sem nenhum lastro com as moedas metal. O esquema seria parecido com o antigo, com a diferen�a de que agora, o risco era assumido pelo governo. Assim, se houvesse algum problema externo com as moedas, era responsabilidade dele. Esses t�tulos seriam padronizados, toda a regi�o teria c�dulas iguais, sem a antiga distin��o entre os cl�s. E todas as pessoas seriam obrigadas a aceitar estas c�dulas, dado que seriam todas assinadas e reconhecidas pelo governo. Ou seja, cada parte cederia um pouco: o governo na obriga��o de assumir o risco da aus�ncia de lastro; as pessoas na obriga��o de aceitar as novas regras do jogo; tudo afim de organizar a emiss�o de t�tulos. Essas novas c�dulas, emitidas pelo governo, receberam tamb�m um nome: PAPEL MOEDA. Talvez voc�s j� tenham notado. O papel moeda � exatamente o dinheiro que n�s usamos hoje. � emitido pelo governo, entidade qual � a respons�vel pela sua economia e riscos. E todo mundo, quando bate o olho nas c�dulas, reconhece o dinheiro, e sabe que ele � verdadeiro. Afinal, o sistema funcionou! Funcionou? Ser�? Apesar de utilizarmos o papel moeda at� hoje, cada vez menos ele tem sido usado para com�rcio. Tem-se preferido o cr�dito: com cart�o, boleto banc�rio, desconto em folha... Por que isso ocorre? Lembrem-se que cada tipo de moeda foi sendo substitu�da por outra devido � facilidade que a mais nova oferecia em rela��o � mais velha. Assim: a mercadoria moeda substituiu o escambo porque facilitava a mensura��o dos produtos; a moeda metal substituiu a mercadoria moeda porque tinha maior durabilidade; a moeda papel substituiu a moeda metal porque tinha maior divisibilidade; e o papel moeda substituiu a moeda papel porque tinha a confian�a do governo. Mas este sistema n�o � t�o 'confi�vel' assim. Tanto � que por vezes ouvimos falar em falsifica��o de notas, fora que muitas vezes temos que jogar fora as c�dulas devido ao p�ssimo estado de conserva��o. Sem contar aquele pessoal que usa as notas para outros fins, como correntes religiosas ou 'bilhetes rom�nticos'. E, acima de tudo, n�o d� para comprar coisas de valor muito alto com dinheiro. Vejam que n�s estamos vivendo um momento de transi��o, como antigamente. O sistema financeiro cada vez mais usa o cr�dito como moeda: ele n�o tem exist�ncia f�sica, por isso n�o se deteriora, e tamb�m os bandidos n�o podem roubar (ao menos, n�o fisicamente); al�m disso, o cr�dito pode ser acumulado e dividido com muito mais facilidade, gerando assim condi��es para financiamentos volumosos e de longo prazo, coisas que o papel moeda n�o proporcionava. Notem tamb�m que nenhuma das outras modalidades foram totalmente extintas. Existem sites que promovem trocas de mercadorias diversas: escambo. � comum, por exemplo, numa compra de autom�vel, dar outro em troca como parte do pagamento: mercadoria moeda. Nas bolsas de valores, comercializam-se t�tulos como a��es: moeda papel. E h� produtos cujo valor � t�o pequeno que nem d� para usar o papel moeda, como balas ou doces com anel de pl�stico: emprega-se a moeda metal. O cr�dito domina o mercado a cada dia. Como ser� que v�o batiz�-lo? Moeda Cr�dito? Algu�m, um dia, citou o termo moeda pl�stico, numa refer�ncia ao cart�o de cr�dito. Ser�? Ou adotar�o uma coisa mais de vanguarda, moeda virtual talvez? Deixemos aos te�ricos. O importante � saber que, por mais complexas que se tornem, todas estas evolu��es, e mais as que vir�o, nada passam de uma forma de trocar coisas com os outros, como tudo come�ou na pr�-hist�ria." - E isso � tudo, turminha. Essa mat�ria acabou. "Ah!" coletivo. - Psiu! Olhem, estudem muito esta mat�ria, porque � muito importante, pra todo mundo. Agora, voc�s j� sabem o essencial, n�o tenho mais nada a dizer neste semestre. Ent�o, muito obrigada pela ma�� e pela flor, e boas f�rias pra todo mundo! "Tchau, professora!" desordenados. Alguns alunos avan�am para abra�ar a professora. Ela, comovida, chora. ______________________________________________________________________________________ F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP ([email protected]) |
| ECONOMIA F�CIL |
| Quarta, 05 de julho de 2005 |
| Dinheiro: aula de hist�ria � parte final |