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- Bom dia, professora!

- Bom dia! Crian�as, antes de recome�armos, quero dar um aviso: eu n�o estou gostando nada, nada do comportamento de voc�s.

Cabe�as baixas.

- Hoje, temos muita mat�ria para ver, e tudo isso vai cair na prova, ent�o eu vou pedir pela �ltima vez a colabora��o de todos. Caso contr�rio, a classe inteira vai se prejudicar. Ningu�m quer levar bilhetinho para o pai assinar, n�o �?

Um ou outro responde "n�o" em voz baixa.

- Pois bem, vamos come�ar ent�o:

"Durante a Idade M�dia, o ser humano inventou um monte de coisas. Boa parte dos equipamentos que usamos hoje tiveram seus conceitos b�sicos iniciados nessa �poca. Mas, todo esse potencial latente s� foi poss�vel gra�as a uma t�cnica espec�fica: a extra��o e manipula��o do metal.

Ferro, cobre, ouro, suas diversas utilidades come�avam a ser desbravadas. Tanto na Idade M�dia como hoje, essas t�cnicas requerem tecnologias e conhecimentos espec�ficos, ou seja, n�o era todo mundo que alcan�ava este potencial. E os metais, fundidos, ganhavam grande maleabilidade, podendo ser moldados conforme a necessidade da pessoa.

Foram essas caracter�sticas que fizeram o metal substituir o gado como mercadoria moeda. Nesta �poca, ele ficou conhecido como MOEDA METAL. Por causa disso, algumas profiss�es que existem at� hoje, embora raras, foram criadas, como o ourives. Esse cara tinha como responsabilidade cunhar o metal de uma forma que todo mundo o reconhecesse como verdadeiro, ou seja (anote mais esta palavra para o seu vocabul�rio) que aquele metal tivesse LASTRO.

Isto era necess�rio porque, diferente do gado, o metal poderia ser cunhado em qualquer forma. Como saber se aquele peda�o era o que foi cunhado na sua regi�o, caso n�o houvesse um padr�o? Foi pensando nisso que surgiram os bras�es, s�mbolos utilizados at� hoje. Eles representavam uma dinastia, cl�, fam�lia, ou qualquer coisa que identificasse a pessoa ou o local de proveni�ncia do metal.

Nem � preciso dizer qual foi a forma adotada para comercializa��o: moeda, como a conhecemos, assim, redondinha. E elas eram muito melhores que o gado para o com�rcio: eram, obviamente, bem menores, e por isso, bem mais discretas e f�ceis de transportar. � dif�cil esconder um boi, mas um saco de moedas � bem mais f�cil. Outra facilidade: o metal podia, como j� dito, tomar qualquer forma, ent�o bastava produzir moedas de diversos tamanhos, e lhes atribuir valores diferentes, que voc� elimina o problema da divisibilidade. N�o h� como trocar meio boi, mas h� como fazer duas moedas com metade do tamanho de uma outra maior.
S� que a moeda metal trouxe um enorme problema. Ela era, de fato, muito mais f�cil de transportar do que o gado. Tanto para o dono das moedas, quanto para os ladr�es! A solu��o para isso veio de um conceito que surgiu l� na Pr�-hist�ria, onde come�amos esse papo. Alguns centros comerciais se especializaram em armazenar as moedas metais. Quem pensou na id�ia de banco, acertou, esses foram os primeiros bancos da hist�ria.

O mecanismo era simples: voc� entregava as moedas, e o administrador do centro comercial lhe entregava um recibo, dizendo algo do tipo 'paga-se ao portador tantas moedas'. F�cil, econ�mico e barato, o mecanismo tinha tudo para dar certo. Mas n�o deu.

Em primeiro plano, os recibos at� facilitaram. Eram reconhecidos por todos, ou seja, tinham lastro. Por isso, eram usados tamb�m para com�rcio. E, para este aspecto, eram ainda mais pr�ticos do que as moedas. Folhas de papel s�o mais discretas que moedas, d� para dobr�-las, fica mais f�cil de guardar. E tamb�m era mais f�cil de dividir. Se eu tenho uma moedona, e vou trocar por algo que vale s� uma moedinha, ao inv�s de pedir um recibo de uma moedona, pe�o dois recibos de uma moedinha cada. Esses t�tulos, como eram muito usados, foram denominados de MOEDA PAPEL.

Por�m, lembrem-se, as moedas papel eram t�tulos ao portador. Na pr�tica, quem estivesse com o recibo era o dono das moedas, um prato cheio para oportunistas. N�o havia nenhum controle da emiss�o de recibos, bastava entregar as moedas e receber a moeda papel. E, infelizmente, nunca, em nenhum momento na hist�ria do ser humano, p�de-se contar com a sua honestidade plena. Muitas vezes, acontecia do administrador dos bancos emitir algumas... digo... um monte de moeda papel sem ter recebido o metal. Afinal, as pessoas aceitavam os t�tulos, sem questionar... Ent�o, as moedas papel perderam o seu lastro, deixaram de valer exatamente o que informavam, pois havia mais cifras na somat�ria dos t�tulos do que o que estava guardado de verdade.

Isso foi uma cat�strofe para os comerciantes. Imagine um monte de gente chegar ao banco, afim de retirar suas moedas com os pap�is, e n�o haver moedas suficiente para todos! Isso aconteceu, e muito, naquela �poca. O com�rcio se tornou um pandem�nio! Ningu�m mais sabia que t�tulos eram verdadeiros, o quanto tinham guardado... parafraseando Huck, virou uma loucura, loucura, loucura.
Mas houve algu�m que se manifestou para resolver estes problemas."

- Esse algu�m, voc�s v�o saber s� amanh�!

"Ah!" coletivo.

- Que bom que gostaram, crian�as. E hoje voc�s est�o de parab�ns. Por qu� voc�s n�o se comportam sempre assim? Viram como d� pra conversar bastante, se todo mundo colaborar? Vamos l�, turminha, todo mundo arrumando a mochila!

Todo mundo arrumando a mochila.
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F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP
([email protected])

ECONOMIA F�CIL
Quarta, 29 de junho de 2005
Dinheiro: aula de hist�ria � parte 4
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