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- Bom dia, professora!

- Bom dia! Bom, vamos continuar...
- �Fessora, como � que continua aquela historinha?
- Eu vou contar...
- P�sora, antigamente s� tinha moeda?
- N�o...
- Professora, � verdade que as pessoas compravam as coisas com moedinhas de cenoura?
- N�o, nada disso...
- � prof�ssora, posso ir no banheiro?
- Turma, um s� de cada vez....
- P�sora, eu quero beber �gua...
Todo mundo fala algo, ao mesmo tempo.
Cinco reguadas na mesa.
- SI-L�N-CIO!
Ningu�m se mexe.
- O pr�ximo que der um pio, um �nico pio, vai para a diretoria! Estamos conversados?
Ningu�m se mexe.
- Ah, que malcria��o, viu? Se essa algazarra continuar, vai todo mundo ficar sem recreio, de castigo!
Ningu�m se mexe.
- N�o � para voc�s ficarem mudos. Mas quem quiser falar ou perguntar, levanta a m�o. Sem bagun�a. Entenderam?
Ningu�m se mexe.
- Ent�o, vamos voltar � aula:
�Nesta �poca, o advento da escrita estava latente. O ser humano j� arriscava suas primeiras garatujas. O conhecimento come�ava a se tornar mais importante do que a auto sobreviv�ncia. Mas, a tecnologia ainda se encontrava em uma etapa bastante rudimentar.

A maior necessidade era padronizar as transa��es comerciais, atrav�s da cria��o da mercadoria moeda. Muitas mercadorias foram experimentadas, sem sucesso, como conchas mar�timas, por exemplo. Mas sua estrutura diversificada foi fundamental ao seu fracasso. Havia conchas grandes e pequenas, coloridas e monocrom�ticas, rasas e profundas... N�o havia padr�o.

Outra mercadoria que perdurou por algum tempo, mas n�o avan�ou, foi o sal. At� mesmo por isso, algumas palavras que t�m como conota��o o valor, tem este como seu n�cleo ortogr�fico. Por exemplo, o sal�rio. Mas, tamb�m o sal n�o perdurou, pois apesar de seu cultivo ser dif�cil, ele n�o era raro. Pelo contr�rio, �, at� hoje, bem abundante.

Ent�o, acompanhando o grande avan�o da agricultura, eis que uma mercadoria se estabeleceu como mercadoria moeda: o gado bovino! Inclusive, outra palavra tamb�m teve o gado como n�cleo original: pec�nia. Do latim, pecus, que significa gado em portugu�s.

O gado bovino permaneceu por muitos anos, em muitas culturas, como mercadoria moeda. N�o era para menos, ele preenchia todos os pr� requisitos. O gado era, e � at� hoje, extremamente dif�cil de se cultivar. Por conseq��ncia, quase todos os lugares tinham cria��o de gado, mas nunca em abund�ncia. E al�m disso, n�o havia muita variedade na esp�cie. Uns podiam ser mais gordos, outros mais magros, uns machos, outros f�meas, mas ainda era tudo gado.

Definitivamente, o gado foi um sucesso por muito tempo. Ele s� foi substitu�do muito tempo depois, porque apesar de ser uma mercadoria moeda perfeita, tinha ainda muitas limita��es. Lembrem-se que a fun��o principal da mercadoria moeda era mensurar as outras mercadorias.

Dado esse detalhe, surge o primeiro problema. Suponha que uma cabe�a valha 3 sacas de batatas. Suponha que seu cl� n�o seja muito grande, 5 ou 6 pessoas. Ora, uma saca de batatas � suficiente para alimentar essas pessoas por muito tempo, umas duas semanas. No entanto, eu tinha que levar 3, e n�o uma, pois n�o h� como troc�-la com um ter�o de cabe�a. Uma cabe�a � uma cabe�a, n�o h� como dividi-la. O resultado era sopa de batata por quase dois meses.

Outro problema: o gado, por mais que n�o tivesse muita variedade, � perec�vel, como qualquer outro ser vivo. Morreu, perdeu, sem choro! Ainda mais se voc� n�o for um negociante experiente, e comprar uma cabe�a idosa, perto da morte. Era investimento jogado fora!

Mais problema: a pr�pria cria��o. Afinal, gado precisa de alimenta��o, de espa�o f�sico e outros. Para transport�-lo, ent�o, era o verdadeiro caos. Sem contar o problema com ladr�es e saqueadores, afinal o gado n�o � algo que d� para se esconder muito bem.
A solu��o destes problemas todos apareceu somente no in�cio da Idade M�dia�.

- E eu s� vou contar amanh�. Por hoje � s�.
Uma m�o se levanta.

- Fala...

- Professora, eu posso ir no banheiro agora?

- Ai, ai, ai! Vai, vai logo de uma vez! O restante de voc�s podem se arrumar para ir embora. A aula de hoje acabou, amanh� tem mais. Tchau, pessoal!

Diversos �Tchau professora� desordenados. L�pis e cadernos entrando nas mochilas.
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F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP
([email protected])

ECONOMIA F�CIL
Quarta, 22 de junho de 2005
Dinheiro: aula de hist�ria � parte 3
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