| ...e agora, o que eu fa�o? Essa � a d�vida quando algu�m tinha a solu��o definitiva de seus problemas, e ao passar do tempo, v� que ela n�o era t�o �definitiva� assim. Minha av� j� dizia: �Fi�o, se tem uma �nica certeza nessa vida, � a morte�. Vou al�m, h� tamb�m a mudan�a. Muta��o e morte s�o nossas �nicas constantes, o resto voa com o vento. Veja o caso do governo federal. Palocci insiste em dizer que o Brasil s� vai pra frente se a infla��o estiver controlada. Quem acompanha esta coluna viu semana passada que crescimento econ�mico e infla��o baixa s�o, praticamente, ant�nimos. Prova disso � que todas as m�dias est�o divulgando que a infla��o n�o est� caindo, como planejado. Os jornais t�m mostrado, pouco a pouco, mercados se retraindo, empresas lucrando menos, metas cada vez mais distantes. Semana passada, o Bradesco e o Ita� informaram que v�o elevar suas provis�es para cr�dito. Isso significa que eles est�o guardando mais dinheiro para o caso de calote. Medo? Ou estrat�gia? Os dois. A estrat�gia do governo foi elevar a taxa de juros, a Selic, hoje cotada a 19,75%. Com isso, o cr�dito fica mais caro. Assim, as empresas, que compram a prazo, tendem a comprar menos. Menos compras, elas produzem menos. Produzindo menos, h� menor oferta de produtos. E, com oferta menor, a demanda cai junto. Com as pessoas comprando menos, os comerciantes s�o obrigados a baixar os pre�os. E com os pre�os caindo, a infla��o cairia junto. No papel, at� que fica bonito. Mas, pense: se voc� escovar menos os dentes, sua escova vai ficar mais conservada e seu creme dental vai durar muito mais. No entanto, seus dentes v�o ficar uma tranqueira! Ali�s, se voc� fizer isso, por favor nunca converse diretamente comigo, s� por telefone ou por escrito, tudo bem? Suprimir oferta e demanda � f�rmula, de certa forma, simples de se conter a infla��o. Por�m, ela traz conseq��ncias, talvez, at� mais devastadoras do que ter infla��o alta. Por exemplo, o governo ignorou a quest�o da oferta reduzida, que at� j� comentamos: tudo que fica mais raro, fica mais caro. Ora, n�o se trata aqui de uma supress�o da oferta? Mas n�o � s� isso que vem ao caso. Quando se fala em reduzir demanda e oferta, nada mais est� se dizendo do que apertar o cinto, vacas magras, mais �gua no feij�o. Empobrecer o pa�s. A�, vem a pergunta: a quem interessa um pa�s mais pobre? Eu pensei, pensei, e at� agora n�o achei um argumento que respaldasse isso. Quem souber, me avisa! Controle da infla��o tem mais a ver com a forma de se lidar com os recursos de produ��o do que com sobe taxa, desce taxa, tira taxa, p�e taxa, deixa ficar taxa. Este �escravos de J� financeiro� � como subir escada rolante que desce: al�m de n�o atingir o objetivo, ainda desgasta a economia. As pessoas s�o esquecidas, mas h� 4 ou 6 anos atr�s houve o apag�o. Que tal, ao inv�s de ficar pensando no n�mero mais bonito para a Selic, investir em energia? Al�m de evitar o problema, uma tecnologia inovadora no setor energ�tico reduz o custo de produ��o. E, com custo mais baixo, a nossa conta de luz vem mais baixa. Al�m disso, com custo menor, o lucro dos produtores � maior, e assim ele podem contratar mais empregados, ou outros investimentos. Para quem acompanha jornais, est�o falando em CPI de correios, investiga��o de improbidades, quebra do Banco Santos. Quem sabe, se os governantes n�o passassem tanto tempo pensando em que cor vai ser seu pr�ximo terno ajudaria? E se despendessem um pouco mais de horas refletindo sobre alternativas mais eficientes do que a progress�o continuada dos ensinos de base? Quantas vezes, s� neste ano, voc� teve que adiar a roupa no tanque, porque estava em rod�zio de �gua? Quantas vezes teve que perguntar como fazia para chegar a tal lugar que n�o fosse por aquele certo �nibus, porque a empresa estava em greve? Quanto voc� j� gastou em pneus, amortecedores, suspens�es, porque os buracos nas ruas reduz a vida �til deles? Alguma vez j� lhe ocorreu de desistir de comprar arroz, feij�o, carne porque o pre�o tinha subido, e voc� n�o estava preparado para isso? O que estou querendo dizer, amigos, � que, ao inv�s de perseguir obcecadamente a meta de infla��o, talvez fosse mais eficiente que o governo investisse nos setores produtivos. O combate � infla��o deve ser feito de forma que a popula��o n�o tenha que reduzir sua qualidade de vida. N�o � preciso tirar o dinheiro das pessoas para que elas gastem menos, basta dar condi��es para que as coisas custem menos. E, para isso, s� com investimento. ______________________________________________________________________________________ F�bio Vergara, 26, jornalista, estudante do 4�.ano de Administra��o da Funda��o Santo Andr�//SP ([email protected]) |
| ECONOMIA F�CIL |
| Ter�a, 31 de maiol de 2005 |
| Se subir a taxa de juros n�o deu certo, ent�o... O constante aumento da Selic tem sido a resposta do governo ao combate � infla��o. Mas esta pol�tica, al�m de n�o resolver o problema, traz conseq��ncias ruinosas � economia e �s pessoas. |