| Tomo como liberdade indicar 2001: Uma Odiss�ia no Espa�o ao posto de obra m�xima de Stanley Kubrick. Talvez pelo fant�stico apuro visual pelo qual fora desenvolvido o projeto, do mais alto requinte, cujo grau de sofistica��o tenha sido atingido pelo feliz casamento das qualidades t�cnicas do fot�grafo e pela sensibilidade do artista. � tamb�m a grande obra filos�fica do cinema, algo semelhante ao que Nietzsche desenvolveu em seus escritos. Posso inclusive ousar � aceitando todo prov�vel grande perigo nesta minha ousadia -, ao afirmar que a odiss�ia espacial de Kubrick � uma livre adapta��o � literatura de Nietzsche, que por sua vez dava abertura � interpreta��o em sua leitura. Ambas as obras apresentam o profano sacralizado, num id�lio m�stico que nos racionaliza anseios, e interioriza a viv�ncia do mundo. O Ulisses lan�a-se na empresa do retorno eterno, o grande anelo. O monolito negro � o Deus velho que chora na escurid�o da caverna de Zaratustra, como tudo que passou chora a sua morte e tudo o que est� por vir anuncia o seu advento, o surgimento do Super-Homem � prenunciado num grito no rufar dos tambores, assim como Wagner anuncia em sua m�sica, em que poucos compreender�o, por que a supera��o n�o � pr�pria da popula�a, mas sim contr�rio a ela. O Odisseu, aqui na figura do astronauta, tenta sorver com a ponta do dedo um pouco do grande mist�rio do anelo, no contato com o monolito, de negritude necess�ria para a perman�ncia do equil�brio, constante em todos os tempos, na paradoxal rela��o entre o bem e o mal, no embate eterno, num simples gesto interpretativo de Michelangelo. Deus morreu, e veste o luto. A aurora do homem deu-se da sua descoberta como agente do seu destino, cujas a��es derivaram-se do entendimento do poder, como possibilidade, em tamb�m exercer o mal, mas que apenas com maior conhecimento entender� o poder da conseq��ncia, em seus atos: se pela experi�ncia de sofr�-las, ou se pelo intelecto de pens�-las de antem�o. O meio-dia � atingido no alinhamento do planeta e seu sistema; enquanto o Super-homem vem ainda como feto para sorver-lhe nos seios a sua energia: o conhecimento daquilo tudo que j� se passou, e o entendimento daquilo que precisa ser-se superado. O anseio de supera��o repousa tamb�m � necessidade natural de sobreviv�ncia, da defesa do eu, equivalente � personagem de HAL 9000, que procura eliminar todos aqueles que demonstram amea�a. A leg�tima defesa legitima a sua justi�a, a m�quina aprende com o homem a necessidade � vida, e a luta pela sobrevida. Presente, passado e futuro se confrontam. Em meio � ordem sim�trica do classicismo durante a refei��o, onde a tradi��o rompe-se perante a ta�a que cai e se quebra - a desmoraliza��o dos costumes � defendida, pois os tempos j� s�o outros, e � necess�ria a mudan�a, em nome do desejo de supera��o. _________________________________________________________________________________ Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| CINEMA |
| Ter�a, 17 de maio de 2005 |
| O Nietzsche hom�rico � Assim Falou Kubrick 2001: Uma Odiss�ia no Espa�o / Stanley Kubrick |