| Guerreiro an�nimo apresenta-se ao imperador de Qin, munido das armas dos tr�s principais assassinos deste, como afirma��o da sua vit�ria sobre eles, em nome do rei. A cada vez que conta como os venceu individualmente, o �sem nome� avan�a dez passos em dire��o ao imperador que, perspicaz, reconstitui cada narrativa em min�cias, a fim de identificar a verdade da hist�ria. Zhang Yimou tra�a o painel da institui��o da China, como um pa�s unificado, em tra�os sofisticados, como s�o os ideogramas da sua l�ngua. Em suas imagens, � afirmado que, a mesma espada que corta e separa, tamb�m � a espada que pode fincar, unificar e preservar a terra � o peso recai sobre os seus dois gumes. O seu her�i an�nimo (Jet Lee), assim como todo her�i, chega numa etapa de decis�o em que deve valorizar toda a sua labuta, mostrar o seu diferencial, afirmar aquilo que realmente acredita. Sua narrativa cinematogr�fica se aproveita da id�ia original que Kurosawa comp�s o seu Rashomon, mas ao contr�rio desse, que mostrava que a verdade tem v�rias faces, de acordo com o olho que a v�, Yimou utiliza este artif�cio para explorar a mentira, a percep��o, e a verdade, respectivamente, tr�ade esta que determina a decis�o her�ica � o momento solit�rio e an�nimo da escolha. � um libelo ao her�i sem nome, que est� disposto a sacrificar-se em favor de um bem comum, e maior, que acredita repousar em sua escolha. A vit�ria sobre os seus medos, e os anseios pessoais. Faz, a exemplo de O Tigre e o Drag�o, de Ang Lee, o uso da coreografia rebuscada para extrair toda a beleza das lutas marciais, formando um bal� da viol�ncia, e o rigor da disciplina. Ali�s, como explorado, em ambas as pel�culas, a disciplina sobre o instinto � algo claramente essencial para o equil�brio, e harmonia plena, do ser humano: a batalha incessante da raz�o versus a emo��o; o controle intelectual de si, sobre os sentimentos do ser. Tornar-se uno, fazer parte de algo maior que si pr�prio � a proposta social do filme; ou ainda mais, tornar-se universal: renunciar a si mesmo em prol de uma id�ia, � uma certeza que s� voc� pode ver. Uma for�a m�tica que engloba, paradoxalmente, o poder de atra��o do ego pela vaidade de tornar-se imortal, e a humildade do sacrif�cio particular de si pelo outro. _________________________________________________________________________________ Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| CINEMA |
| Ter�a, 26 de abrll de 2005 |
| O her�i an�nimo da nossa terra |