| Grande vencedor do Oscar 2005, com quatro estatuetas (Filme, Diretor, Atriz e Ator Coadjuvante), o filme Menina de Ouro, do diretor Clint Eastwood, � uma verdadeira sucess�o de clich�s. Est�o presentes na obra um sem n�mero de personagens que buscam sua reden��o, o seu reencontro com a vida. Na pel�cula de Clint Eastwood, o espectador ir� encontrar o velho ex-boxeador negro, que quase perdeu sua vis�o em sua �ltima luta e agora vive de limpar uma academia decadente de boxe; a menina do interior, cansada de limpar mesas e se alimentar de restos de comida deixados por seus clientes na lanchonete em que trabalha; e o religioso treinador de boxe, que busca entender as causas do sumi�o de sua filha e evita que seus pupilos lutem com bons boxeadores, temendo por suas vidas. � um clich� atr�s do outro. Por�m, e apesar dos clich�s, esses personagens v�o construindo, pouco a pouco, como um ex�mio boxeador minando as energias do seu advers�rio, uma atmosfera de emo��o, onde, no �ltimo assalto, em seu ato final, o espectador deixa a sala de proje��o nocauteado, com suas emo��es � flor da pele. Como o diretor consegue isso? Clint Eastwood conta com tr�s interpreta��es magistrais. Morgan Freeman � o ex-boxeador. A excelente atriz Hilary Swanck faz a boxeadora, a Menina de Ouro do t�tulo. O pr�prio diretor faz o papel do treinador que busca a reden��o de sua vida na preserva��o de seus pupilos ou no questionamento religioso. Clint Eastwood brinca com a viol�ncia. O diretor busca no universo do boxe feminino - e n�o h� nada mais violento, aos olhos do espectador, do que o boxe praticado por mulheres -, escancarar o grau de agressividade da cultura atual dos Estados Unidos. E o faz com uma sensibilidade digna de nota. A viol�ncia � delicada. N�o estamos falando aqui da viol�ncia retratada nas cenas de lutas de boxe entre as mulheres, mas sim naquela viol�ncia do dia-a-dia daqueles personagens que buscam uma vida digna, uma raz�o para a sobreviv�ncia. Em seus noventa minutos iniciais, Menina de Ouro parece um filme comum. Os personagens v�o se apresentado, e a hist�ria parece ser mais uma, entre tantas, que o cinema americano j� decidiu mostrar. Por�m, em seu final, a emo��o toma conta dos personagens, deixando voc�, desarmado espectador, absolutamente grogue. Tudo com muita delicadeza. Trata-se de um grande filme, que merece ser visto. N�o pelas estatuetas que obteve, mas sim pela bela obra que �. ________________________________________________________ Ary Rocco |
| CINEMA |
| Segunda, 07 de mar�o de 2005 |
| Menina de Ouro: Nocaute de emo��es |