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A pel�cula da pecaminosa dupla �Rodriguez & Miller� � mais um trabalho de auto-exalta��o: �auto-consagra� Robert Rodriguez, com um trabalho primoroso tamb�m na trilha sonora e supervis�o dos efeitos especiais, assim como tamb�m consagra Miller, que sem sombra de d�vida pertence ao hall dos maiores quadrinistas na hist�ria da nona arte � ou, se preferir, por ainda n�o aceitar esse status �s hist�rias em quadrinhos, pode cham�-la de gibi, ou comics, como � conhecido nos EUA. Enfim, a dupla � a �bola-da-vez�.

Miller � conhecido tanto pelas suas hist�rias, quanto pelo seu tra�o: �, sobretudo, um mestre quando o assunto � luz e sombra. � justamente nesse quesito que sua arte explode em Sin City (quadrinhos), e � transposta t�o exata para as telas. Ao contr�rio do que muitos falam, Sin City n�o � uma hist�ria que esbanja sensualidade, muito pelo contr�rio, explode em vulgaridade; � tudo num clima noir das piores pulp fiction (no bom sentido), que encontra-se sexo e viol�ncia aos borbot�es, ningu�m presta, os di�logos s�o recheados por frases de efeito sem grande profundidade, ou nenhuma. �, enfim, um trabalho extraordin�rio dos quadrinhos, mas peca em n�o permitir uma adapta��o para o cinema. Apenas.

O clima de Sin City j� � densamente cinematogr�fico em sua origem: o recurso de voice over, flashback, o pr�prio cuidado com o enquadramento fotogr�fico, e a preocupa��o com a ilumina��o, j� era algo presente na HQ � na verdade � bastante comum nas HQs. Enfim, as digress�es de um � original -, j� eram enf�ticas ao outro � final.

As atua��es fazem parte de um cap�tulo em especial: assim como as personagens originais, os atores exageram no tom caricato, na �tinta forte� de Miller, vis�vel primeiramente, quanto ao exagero, no di�logo em que a personagem de Bruce Willis, ainda no in�cio, discute com o parceiro.

Ao contr�rio do que muitos apontam, acredito mais nos m�ritos que em desacertos do filme, pois Sin City, em sua gram�tica original, utilizava de artif�cios cinematogr�ficos, como Joyce assim o fez, parcialmente, com o seu Ulisses. O intuito primeiro de qualquer adapta��o � estabelecer o vigor da obra original, mas pontuando a atmosfera cinematogr�fica, que � o seu novo destino.

Em segundo, quando a obra original � uma boa id�ia, por�m mal feita, deve-se saber exaltar, sem perder a m�o, o que verdadeiramente presta na obra de origem: a boa id�ia. A perman�ncia n�o � um pecado, assim como tamb�m n�o o � a modifica��o. A regra deve ser: fa�a o que for preciso para dar vida. Uma boa vida.

Por esse motivo assusta o projeto de adapta��o da graphic novel (termo mais sofisticado, que remete diretamente � literatura) Watchmen, a obra-prima de Alan Moore, pois ela j� � carregada em sua narrativa da gram�tica cinematogr�fica, mas � �bvio que cortes s�o necess�rios, como em sua parte literal, at� pela sua dura��o: seria imposs�vel ag�entar um filme absolutamente �ntegro � HQ, pareceria intermin�vel e, pior, chat�ssimo. Bom, mas essa � uma outra hist�ria, que veremos se sai ou n�o, bem mais adiante, numa sala de cinema.
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Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP
([email protected])
CINEMA
Quarta, 14 de setembro de 2005
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Sin City � A Cidade do Pecado
Ode � vulgaridade e viol�ncia de Frank Miller
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