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Um filme que mais aperta a ferida purulenta do que a permite cicatrizar. Den�ncia que apresenta o povo alem�o como c�mplice direto do ditador nazista, aquele mesmo que atemorizou o mundo no auge do 3�. Reich. O m�rito maior da pel�cula foi n�o utilizar pinceladas fortes, e tentar ser verdadeiro de quando n�o optou por mostrar-lhe como um anticristo, mas sim como um homem que cometeu atrocidades com o apoio de terceiros � apresentados aqui como a sociedade alem�, que agonizava a mis�ria.

Aqui, Adolf Hitler � carinhoso com Eva Braun, com o cachorro, com os filhos de Goebbels, e com a secret�ria. Traudl Junge � esta, ali�s, pe�a fundamental para todo o drama, cujas mem�rias fundam as bases em que o filme fora desenvolvido. � uma busca pela reden��o atrav�s da aceita��o da culpa. Ser� que o povo alem�o n�o suspeitava as atrocidades que Heil Hitler fazia? Ser� que era t�o no por�o assim? Para onde iam os milhares de judeus, os �porcos� da sociedade europ�ia? O relato tem sua principal for�a no realismo em que a estrutura � desenvolvida, crivada em datas.

Aparenta uma sinceridade transparente e isenta, mas jamais impessoal: � a ang�stia de d�cadas que sufoca um povo. Os pilares do 3�. Reich ru�am num armagedon de inf�mias. O discurso perdia sua tinta forte, no qual os her�is passaram a ser vistos como figuras borradas. O romantismo dessa �poca tornava-se melanc�lico demais para ser toler�vel. E, na vis�o que identificou-lhe como grande l�der, a op��o era uma s�, infal�vel e inevit�vel: o suic�dio.

O mundo on�rico que o Nero moderno incendiava desaparecia sem que jamais existisse � e o trauma � forte demais para que pessoas de peso em dem�ncia consigam fazer essa f�nix renascer. Os deuses de outrora n�o mais possuem espa�o, o seu tempo � id�lico, e, portanto, inexistente fora da loucura. Esta � uma vers�o um pouco mais cr�vel por que n�o � a vers�o dos vencedores, mas sim dos derrotados. Uma hist�ria sem ganhos reais, apenas perdas humanas. Um trope�o no cadafalso, uma escorregadela no precip�cio. � confirmado que sim: precisa-se um passo atr�s antes que a decis�o seja efetiva. Ou mais, � de indagar-se se o passo em falso dado pelos nazistas era inevit�vel � ou seja, um acontecimento necess�rio ao homem, sendo que, suas ra�zes hist�ricas n�o foram superficialmente imediatas, mas profundas -; ou um lapso moment�neo de miser�veis que resolveram seguir a loucura de um indiv�duo que a tivera como a �nica e absoluta verdade, numa ocasi�o prop�cia � insanidade de um povo.

Que tenhamos o bom senso de aprendermos mais com os erros, j� que os acertos tornam-se com o tempo apenas uma miopia do nosso ego, que tememos adapt�-los para n�o dividi-lo. O temor est� no vapor que lan�amos no espelho, ao qual ignoramos peremptoriamente em aprecia��o � pl�stica imagem do nosso preconceito.
Homem conhe�a a ti mesmo...
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Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP
([email protected])
CINEMA
Quarta, 13 de julho de 2005
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A Queda!
De quando Heil Hitler caiu do alto
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