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Em seu novo filme, Steven Spielberg traz a adapta��o contempor�nea do p�nico que outrora Orson Welles causou nos EUA, quando em 1938, com o aux�lio de outros atores, narrou atrav�s da r�dio CBS, a invas�o ao planeta Terra por naves espaciais, guiadas por uma ra�a alien�gena sedenta pelo sangue humano e equipadas com um aparato b�lico, infinitamente superior ao da pot�ncia mundial americana.

O pandem�nio foi geral: suic�dios, fugas desesperadas n�o se sabendo para onde � enfim, instaurou-se o desespero comum aos ouvintes desatentos. � sabido que, ao in�cio da transmiss�o radiof�nica, Welles avisou que se tratava da narra��o da obra do autor de fic��o-cient�fica H. G. Wells.

Hoje em dia � dif�cil conseguir o mesmo impacto � e ainda bem. Mesmo por isso Spielberg preferiu tomar certas liberdades com o texto original, cuja fun��o primordial foi dar base ao esqueleto do enredo refilmado (j� houve vers�o anterior para o cinema), no qual sua discuss�o principal � sobre o colonialismo.

� defendido o manifesto obviamente contra o colonialismo, quando mostra o estranho indiscutivelmente supra-poderoso, que subjuga a civiliza��o inferior, absorvendo suas riquezas � ou seria melhor diz�-lo o seu sangue? - e a ultraja violentamente, sem dar chance m�nima � defesa. Quando a filha chora desesperada dentro do carro em fuga e pergunta ao pai se os respons�veis por tamanho p�nico s�o os terroristas, ele indaga a si pr�prio. Quem s�o os terroristas? Ser� que o povo norte-americano indaga-se quanto ao seu ultraje colonial-imperialista? �quelas na��es que n�o possuem o mesmo artif�cio b�lico, quando � que estas realmente possuem chance de t�-lo para defesa.

O interessante foi a op��o em mostrar toda a hist�ria do ponto de vista do leigo, um simples cidad�o que sofre a fatalidade de estar no �olho do furac�o. A personagem do estivador vive o seu pr�prio drama: por mais que n�o queira � alheio aos seus filhos, sendo estes, um adolescente que tende a fugir da semelhan�a do pai, e uma garotinha que tende a lhe dar mais uma chance (mesmo que com um p� atr�s). Ele tamb�m � alheio � trag�dia humana, que ocorre diante de seus olhos. Tenta deixar para tr�s, mas ela o persegue ininterruptamente. � uma trag�dia de todos, portanto, dele tamb�m.

Spielberg deixa claro que � preciso abrir os olhos para o que ocorre, pois fech�-los n�o impedir� que o inimigo avance. N�o mais � um pesadelo infantil, � a realidade que lhe cerca. A fantasia-realista spielbergniana tem em seu desfecho a mensagem ecol�gica que pode fazer muitos torcerem o nariz. Em seu final, o cineasta prop�e um pensar sobre a import�ncia � preserva��o dos recursos naturais, naquele seu sempre olhar otimista, que muitos, pejorativamente classificam como �piegas� � na falta de relacionar com um um olhar de maior percep��o, para al�m do seu umbigo. Sim, Spielberg ainda acredita no homem. Desde o in�cio da sua carreira � taxado de piegas, mas ainda bem que n�o d� ouvido aos seus detratores. E tomara Deus que permane�a piegas por muito e muito tempo, agregando o seu maravilhoso mundo ao nosso.
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Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP
([email protected])
CINEMA
Quarta, 05 de julho de 2005
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A Guerra dos Mundos
Spielberg choca o seu mundo com o mundo do outro
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