| George Lucas, finalmente, conclui a sua saga intergal�ctica, que teve in�cio h� muito tempo, numa gal�xia muito distante. Com o terceiro episodio da epop�ia das guerras estelares, o cineasta encerra esclarecendo lacunas e mitologias que permearam a serie, al�m de tra�ar um paralelo da pol�tica de guerra do Chanceler Palpatine � que neste epis�dio revela-se como lorde sith Darth Sidious - e o governo Bush: afinal, ambos pregam a pol�tica do medo, a fim de conquistar apoio para seus objetivos de fins b�licos, que justificam apenas interesses de uma minoria - mais especificamente aquela que sempre deteve o poder, mas que, como numa ilus�o, mascara duas id�ias num ideal comum a todos, ironicamente, a paz. O interessante � perceber que essa compara��o surge apenas de uma �nfase maior � quest�o, dada agora ao roteiro, sendo que, esse fato coincide na cronologia original da serie. Mas essa intriga pol�tica � apenas uma paisagem que ilustra o cen�rio de fundo da trama. A raz�o de ser da saga de Guerra nas Estrelas � a trag�dia pessoal que repousa na exist�ncia da persona de Darth Vader. Como em sua primeira apari��o sendo tal, � feita uma bela par�frase de Frankenstein - do cl�ssico que o cineasta James Whale realizara em 1931. Tanto uma quanto a outra, � o relato da trag�dia do homem para consigo, daquele que se torna cego ao deparar-se com o seu ego, e em prol da sua vaidade nutre um amor destrutivo por si e, por conseq��ncia, destruidor aos outros. O amor de tanatos assassina a eros. Lucas justifica a raz�o que repousa nas escolhas da personagem de Anakin, o her�i respons�vel por mostrar-nos que, independente das qualidades que temos, o verdadeiro peso est� nas decis�es que tomamos sobre elas. Vemos que a todo momento Anakin vacila nas op��es que tem, n�o sabe qual escolha ser� a melhor, por n�o conseguir prever habilmente o seu desfecho. N�o consegue pesar o valor assertivo de cada ocasi�o, pois ainda � deveras imaturo. Um super-homem inacabado. A odiss�ia que parece n�o ter retorno. A trag�dia estelar do anelo da exist�ncia do outro, na qual a escolha de um interfere no rumo de todos. Revela quando no reino das boas inten��es, gestam-se verdadeiros monstros, que por mais que queiramos, somos impossibilitados de nos tornarmos alheios aos outros em nossas decis�es. Assim como n�o o somos, em nosso destino, na escolha capital de outrem. O palco formado � de uma trag�dia grega, em que as parcas tecem o fat�dico da vida e os seus momentos decisivos. E no qual o coro tr�gico de John Williams anuncia a fatalidade. Mas resta-nos uma nova esperan�a, que cabe a realiza��o da profecia Jedi: chegar� o messias que acabar� com as guerras e restabelecer� a paz no universo. Desculpem-me o pecado f�cil de encerrar dessa forma, mas � dif�cil resistir a indica��o: v� para o lado negro da sala de cinema e que a for�a esteja com voc�. _________________________________________________________________________________ Paulo Roberto Nunes, 23, estudante do 3�.ano de R�dio e TV da Universidade Santo Amaro/SP ([email protected]) |
| CINEMA |
| Ter�a, 31 de maio de 2005 |
| Que a For�a esteja com voc� Guerra nas Estrelas � Episodio III: A Vingan�a dos Sith |