Uma popula��o de aproximadamente 240 mil habitantes, espalhados por quase 14 km� de �rea ocupada e que, fora isso, sofrem todos os dias com a falta de incentivos governamentais e projetos de aux�lio a moradores, tem em seus bairros uma invejada agenda de atividades culturais, al�m de �timas e diferentes op��es de entretenimento para todos os tipos de p�blico que, apesar de frequentar locais diferentes nos finais de semana, convivem diariamente em harmonia, seja nos �nibus que os levam ao trabalho ou nas escolas e faculdades da regi�o. "Depende muito do clima da rapaziada para se viver num lugar assim, onde sempre se ouve falar de um assassinato ali, um sequestro acol�, o que vale � a gente se divertir como pode", relata Jorge Pires, 41, dono de farm�cia e residente do bairro h� mais de 20 anos.

Nas escolas estaduais como a E.E Afiz Gebara, aos s�bados e domingos acontece o Programa Escola da Fam�lia, um projeto do Governo do Estado que visa trazer op��es f�ceis de lazer para as comunidades de baixa renda. Segundo o secret�rio-adjunto da Educa��o do Estado de S�o Paulo, Paulo Alexandre Pereira Barbosa, todas as institui��es de ensino participantes t�m livre escolha para montar sua programa��o, mas t�m de seguir a linha: Cultura - Esporte - Sa�de - Qualifica��o para o Trabalho. Do xadrez � aulas de luta marcial, al�m de campeonatos de futebol e cursos pr�-vestibular, o programa chama a aten��o principalmente para aqueles que necessitam se distanciar da vida que levam, sem ficar longe do lugar onde moram, encurtando tamb�m a dist�ncia entre o aluno e a escola, que passa a ser o local que traz, ao mesmo tempo, conhecimento e divers�o ao estudante.

A express�o popular que afirma existir um bar e uma igreja evang�lica a cada esquina, pode ser levada em considera��o, apesar de termos, como em todos os lugares, independente de localiza��o ou classe social, boas e p�ssimas escolhas . Somente na Av. Comendador Santana, uma das principais vias locais, existem cerca de 15 a 20 bares e botequins no decorrer dos 1,5 km de percurso. Em geral, s�o instala��es prec�rias, com mesas de bilhar e m�nima condi��o de higiene, sustentadas financeiramente pelo v�cio do alcoolismo de sua pouca clientela. Mas, por outro lado podemos encontrar estabelecimentos de boa reputa��o, como casas de m�sica e cultura nordestina e j� que boa parte da popula��o local � fruto de fam�lias que migraram para S�o Paulo, estes bares oferecem comida t�pica a pre�os populares, com direito a shows de forr� ao vivo embutido no pre�o.

Quanto �s igrejas, a predomin�ncia � o culto evang�lico, apesar de haver tamb�m (por�m em quantidade irrelevante) as catedrais cat�licas e os centros esp�ritas. Na mesma Avenida anteriormente citada encontra-se de 10 a 12 pequenos galp�es improvisados, onde muitos v�o professar sua f�. Igrejas como a Assembl�ia de Deus e a Universal do Reino de Deus, destacam-se pelo tamanho dos templos e a quantidade de fi�is que as procuram.

Na atmosfera musical, o lugar � tamb�m bastante cogitado pelos festivais que s�o realizados ao ar livre e muitas vezes nas escolas p�blicas. Os g�neros, neste aspecto variam entre reggae, pop, rap e rock, passando por apresenta��es de mpb e m�sica sertaneja em mini-shoppings e padarias. O que percebe-se claramente � a falta de casas de shows, dan�a e outras casas noturnas, car�ncia essa que talvez possa ser explicada pelo medo do tipo de investimento em um lugar t�o famoso por assaltos e mortes. "N�o tem muita op��o por aqui. A gente tem que ir bem longe atr�s de um bom lugar. Mas tem que ficar o resto da noite na balada, porque os �nibus pra c� param de passar l� pela meia-noite", reclama Celina Dias, 22, estudante de administra��o.

O Cap�o Redondo �, sem d�vida, um dos bairros mais famosos do Brasil e do mundo. De l� surgiram impactos musicais como o rap dos Racionais Mc's, o punk rock de den�ncia da banda C�lera, jogadores de futebol como Caf�, penta campe�o mundial e escritores consagrados como Ferr�z, colunista na revista Caros Amigos e autor dos livros Cap�o Pecado e Manual Pr�tico do �dio. O que mais impressiona na quest�o antropol�gica do fato � como eles podem ter sa�do de um lugar t�o dif�cil de viver e estarem entre os destaques nacionais.
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Robson Assis, 21, estudante do 3� ano de Jornalismo da  Universidade Santo Amaro/ SP
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Cap�o Redondo: a perifeira que reage
No topo da lista dos bairros mais perigosos do mundo, este complexo na Zona Sul de S�o Paulo � um paradoxo
entre estat�stica carente e pluralidade cultural
CIDADE
Ter�a, 03 de maio de 2005
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