| Seria bel�ssimo, se n�o fosse pat�tico. Recentemente assisti a formatura de meu irm�o, agora um advogado e a hist�ria se repete em todos os setores. Como n�o poderia deixar de ser, os estudantes que ali estavam entre l�grimas e uma prov�vel sensa��o de vit�ria, enfileiravam discursos sobre a fun��o crucial do advogado em nossa sociedade, na personifica��o de figura defensora do cumprimento da lei, conseq�entemente fundamental para manuten��o da democracia. �timo, mas tal id�ia funciona apenas nos bailinhos onde os titios e titias, emocionados, reacendem a chama da esperan�a na mudan�a dos status quo atrav�s de seus pimpolhos. Nisto os jornalistas e os profissionais da �rea de direito se parecem muito. N�o participarei da formatura da minha turma, n�o tenho grana (aceito empr�stimos, mas s� pago quando puder), contudo, prevejo palavras que fa�am alus�o � liberdade de apura��o, divulga��o de informa��es e fiscaliza��o da atua��o dos governantes. Na pr�tica, esta teoria � praticamente uma aberra��o, por diversos motivos, entre os quais o fator econ�mico. N�o consigo crer que a Folha de S�o Paulo investigaria um grande investidor, uma empresa que sonegasse impostos, mas bancasse o caderno Ve�culos, por exemplo. Os jornais s�o empresas com fins lucrativos e agem de acordo com interesses privados, seja atrav�s da omiss�o ou manipula��o dos fatos. Em casos extremos lan�a cronistas na linha de frente para mascarar sua conduta atrav�s da alega��o de que o colunista apresenta uma vis�o que n�o representa necessariamente a opini�o do jornal. Neste caso, ainda por cima o leitor convive com textos que utilizam um dos artif�cios mais rasteiros e pobres presentes no jornalismo: o elogio a quem � odiado e a cr�tica a quem � amado, pelo simples desejo de criar polemica barata e alavancar audi�ncia. Como advogados, que instruem clientes a mentirem para diminuir a pena ou tentam manipular o j�ri atrav�s de artimanhas teatrais, os jornalistas precisam reafirmar constantemente seus princ�pios atrav�s de livros, porque no mundo real eles s�o ignorados. Neste bimestre minha classe de jornalismo participar� de uma avalia��o baseada no caso Watergate, quando Bob Woodward e Carl Bernstien, dois rep�rteres do Washington Post descobriram que pessoas ligadas ao presidente Nixon invadiram o edif�cio Watergate para espionar a sede do partido democrata, advers�rio na luta pela presid�ncia dos EUA. Causa constrangimento a forma c�o o professor respons�vel pela disciplina que abordar� o trema trata o caso, numa esp�cie de orgulho pelos �colegas�. No in�cio dos anos 70, quando o fato ocorreu, eu ainda n�o havia nascido, portanto, n�o posso avaliar se o caso � uma fraude que entrou para a hist�ria como a vistoria de um jornal, da mesma forma que os caras-pintadas ser�o imortalizados como for�a de press�o para queda de Collor, mas � no m�nimo estranho que o presidente da maior na��o do mundo, chefe das principais ag�ncias de espionagem do planeta tenha sido obrigado a deixar o posto gra�as ao Washington Post. Questiono se Nixon n�o cometeu o mesmo erro de Fernando Collor, equivocar-se na administra��o da corrup��o atrelada ao poder. Por�m, n�o � esta a quest�o que desejo discutir, mas sim a possibilidade de �watergaterizar� os estudantes de jornalismo. O mesmo professor que prega amor a investiga��o jamais produziu algo relevante nesta �rea. S�o rar�ssimos os csos de rep�rteres que produzem algo relevante nesta ramifica��o do jornalismo. Caco Barcellos, autor de �Rota 66�, que cobriu a a��o da tropa de elite criada por Maluf, e �Abusado�, biografia do traficante Juliano VP, � um dessas raras exce��es. A grande verdade � que sa�mos das universidades para a as assessorias de imprensa e os sites de informa��es nulas como resultados do campeonato venezuelano de beisebol. Nos nossos sonhos soos Woodward, mas acordamos para informar se vai chover no Maranh�o, como motoristas de carro que fingem ser Angus Young do AC/DC, enquanto dirigem e ouvem �Highway To Hell�. Observe um exemplo recente. O que os meios de comunica��o acrescentaram �s den�ncias relacionadas ao governo Lula? Tudo veio de m�os beijadas do Roberto Jefferson e seus pares, sem interfer�ncia dos jornais. ___________________________________________________________________________________ Luiz Alberto Carvalho, 26, ,estudante do 3�. ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro ([email protected]) |
| AUTO-CR�TICA |
| Ter�a, 20 de setembro de 2005 |
| Dormir como Bob Woodward, acordar como a mocinha da previs�o do tempo |