| O caso do livro Na Toca dos Le�es, do escritor Fernando Morais, foi noticiado nas �ltimas semanas pela imprensa, que o considera um afronte � liberdade de express�o. A biografia da ag�ncia publicit�ria W/Brasil, encomendada a Morais, apresenta um di�logo entre o deputado Ronaldo Caiado e um s�cio da ag�ncia, no qual o pol�tico afirmaria suas inten��es de esterilizar mulheres nordestinas. O deputado entrou na justi�a e a venda do livro foi proibida pelo juiz Jeov� Sardinha, de Goi�s. Morais tamb�m est� impedido de citar em p�blico o trecho do livro que narra a conversa, sob multa de cinco mil reais por cada desobedi�ncia. Por�m, nem todos os exemplares foram retirados das livrarias e o livro, apesar de proibido, figura entre os dez mais vendidos da lista de n�o-fic��o da Veja. Sobre isso, a revista publicou, na edi��o da semana passada, nota, sob o t�tulo �O marketing da censura�, criticando o autor por fazer �mau jornalismo�, j� que ele n�o ouviu o deputado sobre o suposto di�logo. O texto termina com a frase: �sorte dele [Fernando Morais] que a censura no Brasil n�o � t�o dura quanto em Cuba�. Em entrevista a J� Soares, na �ltima sexta-feira, Morais afirmou que a revista tem �m� vontade� com ele. Disse n�o entender porque Cuba foi citada na nota. Para J� Soares, isso se deveria ao fato de Morais ter escrito o livro A Ilha, que mostra a vis�o que o autor tem de Cuba e � considerado pelos cr�ticos um ��cone da esquerda nos anos 70�. A censura tamb�m foi mat�ria do Fant�stico que, por sua vez, apesar de seu claro inclinamento contra a decis�o, teve profissionalismo ao ouvir todas as partes. Houve entrevistas com o juiz que decretou a proibi��o, com o deputado e com o autor do livro. A verdade � que, com m� vontade ou n�o, a proibi��o aumentou o interesse do p�blico pelo livro e a imprensa teve um grande papel nessa hist�ria. O que era apenas mais uma biografia de ag�ncia, alvo de consumo de publicit�rios e pessoas interessadas em propaganda, virou, sen�o um best-seller, um case discutido em todo o pa�s. A imprensa, mais uma vez, propositalmente ou n�o, serviu de alavanca. � o t�o falado e inevit�vel poder da m�dia sobre a ind�stria cultural. ___________________________________________________________________________________ Marcia Fialho, 23, estudante do 3�. ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro ([email protected]) |
| AUTO-CR�TICA |
| Ter�a, 14 de junho de 2005 |
| A IMPRENSA E O MARKETING Pol�mica decis�o judicial aumenta vendas de biografia |