| Na edi��o da �ltima semana da revista Veja, foi publicada uma mat�ria (�Simples, Barato e Eficiente�) sobre o programa da Unesco que abre as escolas aos finais de semana. O texto glorificava, sem pudores, o projeto por seus �m�ritos� e �efici�ncia�. Essa �solu��o�, chama-se �Escola da Fam�lia�, programa implantado em todas as escolas estaduais de S�o Paulo e que j� est� em outros estados. Funciona da seguinte maneira: o universit�rio trabalha em escolas p�blicas durante o s�bado e o domingo (tempo em que deveria estar estudando) para obter 100% de bolsa em universidades privadas credenciadas. Trabalha para pagar, de novo, o que j� paga com seus impostos: o direito ao estudo. E a viol�ncia? Ah, ela diminuiu ap�s o in�cio do projeto. Segundo o box da mat�ria, o n�mero de agress�es f�sicas, depreda��o, invas�o com e sem furto, picha��o, furto, porte ilegal de arma, tr�fico de drogas e homic�dios nas escolas despencou no �ltimo ano. Quem forneceu os dados? A pr�pria Secretaria de Educa��o. H� um exemplo na reportagem: a Escola Estadual Professora Eul�lia Silva. Situada no Jardim �ngela, um dos bairros mais perigosos de S�o Paulo. Segundo a Veja, o pr�dio tem suas paredes impec�veis. Tudo mudou depois do programa. Mas, e as outras escolas? Ser� que est� tudo t�o bonito assim? Ser� que, como jornalistas, podemos tirar conclus�es por amostragem? Podemos generalizar e, com um �nico exemplo, defender politicamente qualquer atitude? Os trabalhos no Escola da Fam�lia come�aram em 08 de agosto de 2003. De l� para c� muita coisa mudou. Os bolsistas, ou educadores universit�rios, passaram a ter de trabalhar apenas 16 horas por semana (antes tinham de cumprir quatro horas em dias �teis) e conquistaram o direito a uma hora de almo�o. Tudo a muito custo e sempre ouvindo muita reclama��o. O quadro se completa com o educador profissional � uma pessoa de qualquer forma��o que � �contratada� para gerenciar o trabalho dos universit�rios, o gestor � funcion�rio da escola que zela pelo patrim�nio, o coordenador de �rea � que gerencia o educador profissional e tem de se revezar em um grupo de unidades escolares por final de semana e os funcion�rios da Delegacia de Ensino, encarregados do Escola da Fam�lia. Acima est� a Regional e a Secretaria de Educa��o. E a comunidade? Bom, a comunidade, que �, teoricamente, o p�blico-alvo nem sempre � ouvida. Um exemplo? Escola Estadual Dom Duarte Leopoldo e Silva, bairro do Socorro, Delegacia de Ensino Sul-3, S�o Paulo capital. Meu grupo ministrava aulas de ingl�s, inform�tica, desenho e alfabetiza��o para adultos, al�m das atividades esportivas e de recrea��o. Por causa de m� vontade e implic�ncia, sem explica��o, da ent�o nova educadora profissional, nossa grupo foi separado. Uma universit�ria foi desligada e dois outros transferidos. Tudo sem explica��o, sem aviso, sem respeito. Os alunos desses bolsistas, por volta de 40 pessoas, ficaram sem aulas e a resposta que ouvimos da Delegacia de Ensino foi a de que n�o somos insubstitu�veis e que a comunidade voltaria a ter as aulas com novos universit�rios. Est�o sem aulas at� hoje. Fomos consideramos um grupo �dif�cil de se trabalhar�. por n�o aceitarmos algumas coisas que a educadora profissional queria nos obrigar a fazer, como arrecadar dinheiro dos alunos (alguns moravam longe e mal tinham dinheiro para a condu��o) para a confec��o de apostilas - procedimento que nos foi informado como incorreto, quando entramos no programa. Para evitar conflitos, tir�vamos c�pias com nosso pr�prio dinheiro ou pass�vamos o conte�do na lousa. Ningu�m, nem da Unesco, nem da Delegacia de Ensino, nem da Secretaria de Educa��o, questionou se t�nhamos provas de que realiz�vamos nosso trabalho (fotos, listas de chamada, testes de ingl�s e inform�tica, trabalhos de desenho, certificados assinados pela vice-diretora da escola) da melhor maneira poss�vel. Documentos que eles pr�prios recomendavam que tiv�ssemos, n�o foram consultados. Absurdos como �o importante n�o � qualidade e sim quantidade� eram ouvidos por n�s, constantemente, por parte da educadora profissional. O importante, para ela, era chamar a aten��o da Delegacia de Ensino e, talvez, conseguir uma vaga para dar aulas mais perto de casa. Pedi meu desligamento do programa por n�o acreditar mais em seus prop�sitos. Uma id�ia muito boa, mas sem fiscaliza��o. Essa n�o � a �nica hist�ria. A revista Veja deveria ouvir todos os lados, como mandam as boas escolas de jornalismo. Talvez consultar alguns bolsistas. Aqueles que, por n�o ter condi��es, t�m de ag�entar esse tipo de coisa. A politicagem e a demagogia n�o ficam de fora aos finais de semana. O programa da gest�o PSDB foi exaltado em detrimento dos CEU�s da Marta Suplicy. Estranho? Ainda bem que na escola Professora Eul�lia o programa funciona. Fica sempre a esperan�a de que, em algum lugar, as coisas d�em certo. __________________________________________________________________________________ M�rcia Fialho, 23, estudante do 3�. ano de Jornalismo da Universidade Santo Amaro ([email protected]) |
| Que fam�la? Programa da Unesco � exaltado por mat�ria generalista |
| AUTO-CR�TICA |
| Ter�a, 31 de maio de 2005 |