PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS
(continuação)
Além das inferências imediatas possíveis de serem obtidas pelo quadro
tradicional de oposição, podemos ter ainda mais três tipos de inferências
imediatas:
CONVERSÃO
Uma proposição é
convertida de outra quando, mantendo-se a mesma quantidade e qualidade, o
sujeito e o predicado de uma são respectivamente o predicado e o sujeito na
outra.
Da verdade de uma proposição E sempre
se pode inferir pela verdade de sua convertida.
Exemplo: A proposição:
Nenhuma enciclopédia é uma obra de referência
completa.
Sendo verdadeira, sua convertida:
Nenhuma
obra de referência completa é uma enciclopédia.
também será verdadeira.
Da verdade de uma
proposição I sempre se pode inferir pela verdade de sua convertida.
Exemplo: A proposição:
Algum político é
ladrão
Sendo verdadeira, sua
convertida:
Algum
ladrão é político
Também será verdadeira.
Ao se converter uma
proposição A verdadeira obviamente não se obtém uma proposição A
também verdadeira, conforme acontece com E e I. Isto porque se
considerarmos como verdade, por exemplo:
Todos os crocodilos são animais carnívoros,
a
sua convertida :
Todos os
animais carnívoros são crocodilos
não pode ser considerada verdadeira.
Para que a convertida de uma proposição A seja verdadeira, essa
convertida tem que trocar de quantidade, ou seja, tem que passar de A
para I. Essa conversão, onde se troca A por I, é conhecida
como conversão por limitação.
Então, convertendo
por limitação a proposição verdadeira: .
Teremos, também verdadeira a proposição:
Alguns animais carnívoros são crocodilos.
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Conversões |
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convertente |
convertida |
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A: Todo S é P |
I: Alguns P são S (por limitação) |
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E: Nenhum S é P |
E: Nenhum P é S |
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I: Alguns S são P |
I:Alguns P são S |
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O: Alguns S não são P |
(em geral não
se equivalem) |
OBVERSÃO
Na inferência imediata por obversão a proposição obversa mantém o mesmo sujeito e a mesma quantidade da proposição obvertente, a qualidade é trocada e o predicado substituído por seu complemento.
Todas proposições categóricas de forma típica são logicamente equivalentes às suas obversas.
Obs: O complemento de uma classe P é uma outra classe representativa de tudo que não é P. Ou seja, o complemento de uma classe P é uma classe chamada não-P.
Exemplos:
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obvertente |
obversa |
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Todos os presidentes são responsáveis |
Nenhum presidente é não-responsáveis |
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Nenhum juiz de futebol é parcial |
Todos os juízes de futebol são não-parciais |
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Alguns átomos são divisíveis |
Alguns átomos são indivisíveis |
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Algumas nações não são pacifistas |
Algumas nações são não-pacifistas |
Tabela de obversões válidas:
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A: Todo S é P |
E: Nenhum S é não-P |
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E: Nenhum S é P |
A: Todo S é não-P |
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I:Alguns S são P |
I: Alguns S não são não-P |
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O: Alguns S não são P |
O: Alguns S são não-P |
CONTRAPOSIÇÃO
Uma proposição contrapositiva equivale logicamente àquela que a originou. Ou seja, se uma proposição categórica típica é verdadeira sua contrapositiva também o será. Para se formar a contrapositiva de uma proposição dada, substituímos o sujeito pelo complemento do predicado e substituímos o termo predicado pelo complemento do seu termo sujeito.
Exemplo: Todos os militares são não-votantes (A)
equivale à sua contrapositiva:
Todos
os votantes são civis (A)
Nenhum escritor é analfabeto (E)
equivale à sua contrapositiva (por limitação):
Alguns
alfabetizados não são não-escritores (O)
Alguns funcionários não são bolsistas (O)
equivale à sua contrapositiva:’’
Alguns não-bolsistas
não são não-funcionários (O)
Uma contraposição nada mais é que sucessivamente aplicar uma obversão, uma conversão e de novo uma obversão.
CONTRAPOSIÇÃO |
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Premissa |
contrapositiva |
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A: Todo S é P |
A: Todo não-P é não-S |
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E: Nenhum S é P |
O: Algum não-P não é não-S (por limitação) |
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I: Algum S é P |
(em geral não equivalente) |
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O: Algum S não é P |
O: Algum não-P não é não-S |