Papoulas de Julho
Ó
papoulinhas, pequenas flamas do inferno,
Então
não fazem mal?
Vocês
vibram. É impossível tocá-las.
Eu
ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.
E
me fatiga ficar a olhá-las
Assim
vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma
boca sangrando.
Pequenas
franjas sangrentas!
Há
vapores que não posso tocar.
Onde
estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?
Se
eu pudesse sangrar, ou dormir!
Se
minha boca pudesse unir-se a tal ferida!
Ou
que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo
e apaziguando.
Mas
sem cor. Sem cor alguma.
Tradução:
Afonso
Félix de Souza.