CANÇÃO DE MARIA
o cordeiro dominical frige em sua gordura.
A gordura
Sacrifica sua opacidade...
Uma janela, ouro santo.
O fogo a faz preciosa,
O mesmo fogo
Que derrete os heréticos de sebo
E despoja os judeus.
Suas grossas mortalhas flutuam
Sobre a cicatriz da Polônia e a devastada
Germânia.
Eles não morrem.
Pássaros grisalhos obsedam meu coração,
Cinza-boca, cinza de olho.
Eles pousam. No alto
Precipício
Que evacuou um homem no espaço
Os fornos resplendiam como céus, incandescentes.
É um coração.
Este holocausto em que me movo,
Ó filho dourado que o mundo matará e comerá.
(19-XI-1962)