TALIDOMIDA
Ó semi-lua —
Semi-cérebro, luminosidade —
Negro, mascarado de branco,
Suas escuras
Amputações se arrastam e arrepiam —
Aranhoso, nocivo.
Que luva
Que algo de couro
Protegeu
Me dessa sombra —
Os indeléveis botões,
Calombos nas omoplatas,
Faces que
Desembocam em ser, arrancando
O lacerado
Âmnio-sangue de ausências.
Custa-me uma noite de marcenaria
Um espaço para esta minha prenda,
Um amor
De dois olhos úmidos e berreiro.
Baba branca
De indiferença!
Os frutos escuros rodam e caem.
O vidro se esfacela.
A imagem
Escapole e aborta como gotas de mercúrio.
(8-II-1962)