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O PARQUE DO CASARÃO

As fontes secaram; é o fim das rosas.
Incenso de morte. Teu dia chega.
São pequenos budas as pêras gordas.
Uma névoa azul arrastando o lago.

Caminhas em plena era de peixes,
Pelos presunçosos séculos do porco —
Cabeça, dedão do pé e da mão
Assomam aos poucos da sombra. A História

Cria floreios quebrados,
Essas coroas de acanto,
E a gralha se paramenta.
Herdas a hera branca, uma asa de abelha,

Dois suicidas, os lobos de família,
Horas de vazio. Alguns astros árduos
Já amarelaram os céus.
A aranha em seu próprio fio

Atravessa o lago. Os vermes
Deixam seus tugúrios habituais.
Convergem, convergem os passarinhos
Auspiciando um difícil nascer.

(1959)    

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