Agachamentos
Bem tarde, quando sente o estômago enojado
O Frei Milotus, um olho na janela
Donde o sol, claro como panelão raspado,
Traz enxaqueca e seu olhar mortadela,
Mexe nos lençóis seu ventre ordenado.
Ele rebola sob a cinza coberta
E desce, os joelhos na barriga que treme,
Assustado como uma velha alerta,
Pois deve, empunhando o penico creme,
Até os rins arregaçar a blusa aberta!
Ora, ele se agachou, os dedos do pé
Dobrados, tremendo ao claro sol que joga
Brioches amarelos nos vidros de sapé;
E o nariz do homem que brilha e voga
Cheira os raios como se fossem rapé.
O bom homem está a ponto, braço torto,
Beiço na barriga, ele sente deslizar a coxa
E suas calças esquentarem, e absorto
Alguma coisa como uma ave roxa
Mexe no ventre sereno dando conforto!
Em volta, dorme uma bagunça de tristes móveis
Nos trapos de sujeira e feias barrigas;
Banquinhos, sapos estranhos, estão imóveis
Em cantos negros: armários parecem cantigas
Que abrem um sono cheio de apetites horríveis.
O fétido calor enche o quarto estreito
O cérebro do homem está cheio de trapos.
Ele escuta crescer os pêlos do peito
E, às vezes, soluços fortes feito sopapos
Escapam, sacudindo o banquinho com jeito...
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E à noite, o raio de lua faz fecundo
Na voltas do cu rastros de luz
Uma sombra se agacha num fundo
De neve rosa como rosas ou cajus...
Sonhador, um nariz segue Vênus no céu profundo.