7 - O relâmpago
0 trabalho humano! é a explosão que ilumina
o meu abismo de vez em quando. "Nada é vaidade; vamos à ciência, e para
frente!", grita o Eclesiaste moderno, ou seja, Todo o mundo. E no entanto os
cadáveres dos maldosos e dos preguiçosos caem sobre o coração dos outros... Ah!
rápido, rápido um pouco; lá, além da noite, estas recompensas futuras,
eternas... escaparemos?
— Que posso eu? Conheço o trabalho; e a ciência é muito lenta. Que a reza galope
e que a luz troveje... vejo bem. É muito simples, e está calor demais; passarão
sem mim. Tenho meu dever, tirarei orgulho como muitos, deixando-o de lado.
A minha vida está gasta. Vamos! vamos fingir, preguiçar, ó piedade! E
existiremos brincando, sonhando amores monstros e universos fantásticos,
queixando-nos e brigando com as aparências do mundo, saltimbanco, mendigo,
artista, bandido — padre! Na minha cama de hospital, o cheiro do incenso me
voltou tão forte; guardião dos perfumes sagrados, confessor, mártir...
Reconheço aqui a minha nojenta educação da infância. Depois o quê!... Ir meus
vinte anos, se os outros vão vinte anos...
Não! não! agora me revolto contra a morte! O trabalho parece leve demais ao meu
orgulho: minha traição ao mundo seria um suplício muito curto. No último
momento, atacarei à direita, à esquerda...
Então, — oh! querida pobre alma, a eternidade não estaria perdida para nós!
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