Comuna de Paris
Nome por que se tornou conhecida a revolta popular que instalou na capital francesa, de março a maio de 1871, um governo revolucionário de tipo socialista.
A humilhante derrota infligida à França pela Prússia foi a causa imediata da instalação do governo popular da Comuna de Paris, que para Karl Marx constituiu o primeiro modelo de estado socialista.
Passou à história com o nome de Comuna a revolta popular que, de 18 de março a 27 de maio de 1871, instaurou em Paris um governo revolucionário. A Assembléia Nacional, eleita em fevereiro de 1871 para concluir um tratado de paz depois da queda do segundo império francês (1852-1870), tinha uma maioria de monarquistas, reflexo do conservadorismo das províncias. Os parisienses, republicanos, temeram que a assembléia restaurasse a monarquia.
Adolphe Thiers, chefe do governo, transferiu as sessões da Assembléia Nacional para Versalhes, onde adotou medidas impopulares, como a supressão do soldo dos guardas nacionais - corporação civil integrada em grande parte por desempregados - e a anulação da moratória dos aluguéis, o que trazia o risco de desalojamento para milhares de pessoas. Apesar das ondas de protesto que essas medidas suscitaram, a revolução só explodiu em 18 de março, quando a assembléia decidiu apoderar-se dos canhões da guarda nacional. As tropas enviadas para confiscar essas armas passaram para o lado dos rebeldes e fuzilaram vários generais.
Ante a ordem governamental de evacuar Paris, a guarda respondeu escolhendo um comitê central, constituído por delegados dos distritos parisienses. As eleições municipais de 26 de março, organizadas por esse comitê, deram a vitória aos revolucionários, que formaram o governo da Comuna de Paris, integrado por noventa membros e dominado por diferentes ideologias.
Os blanquistas, seguidores do socialista Auguste Blanqui, se pronunciavam pela luta aberta contra Versalhes. Os jacobinos pretendiam que a comuna fosse a condutora de uma nova França revolucionária, como em 1792, enquanto os socialistas proudhonianos propunham uma federação de comunas de todo o país. Esta última foi a orientação predominante no manifesto de 18 de abril, que ratificava o espírito republicano do regime revolucionário, abolia os subsídios à igreja e a separava do estado, e proclamava uma jornada de trabalho de dez horas. A revolução estendeu-se a outras cidades, como Lyon, Saint-Étienne, Toulouse e Marselha, mas nelas foi imediatamente reprimida.
Restava somente Paris, com muitos de seus habitantes dispostos a defender encarniçadamente o que consideravam o governo do povo. As forças leais a Thiers se concentraram em meados de maio no acampamento de Satory e foram reforçadas por soldados franceses oportunamente libertados pelos alemães. A Comuna, embora tivesse canhões e meio milhão de fuzis, ressentia-se de grande indisciplina em suas forças e seus chefes careciam de experiência militar. Além disso, nem todos os habitantes de Paris estavam do lado dos revolucionários.
A luta foi
cruenta - O general Mac-Mahon sitiou a cidade e, a partir de 11 de abril, iniciou um intenso bombardeio das posições dos rebeldes. A defesa se manteve entre o dia 24 desse mês e 20 de maio. As tropas governamentais entraram na capital em 21 de maio e, durante uma semana, travaram uma terrível batalha nas ruas de Paris, desesperadamente defendidas pelos insurretos, que incendiaram o palácio das Tulherias e a prefeitura. Depois da vitória, em 27 de maio de 1871, e durante anos, até a proclamação de uma lei de anistia em 11 de julho de 1880, o governo executou uma feroz repressão, procedendo a deportações e prisões em massa, que praticamente aniquilaram o partido revolucionário.
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