Estruturas da Língua (Idioma)
Também chamadas idiomas. São os conjuntos de sons, gramáticas e vocabulários, organizados
de acordo com sistemas de regras específicas, utilizados para a comunicação dos diversos
povos e nações. Quando os membros de uma determinada comunidade falam – os brasileiros,
por exemplo – estão se comunicando porque estão usando os mesmos códigos de sons
compreendidos por todos.
É isso que se chama a estrutura de uma língua: o conjunto de características que a torna
diferente de todas as outras. É o que permite determinar a que ramo ou família lingüística ela
pertence. O romeno, por exemplo, embora tenha em seu vocabulário muitas palavras de origem
eslava, é classificado como uma língua latina, pois a sua estrutura é mais próxima das línguas
desenvolvidas a partir do latim.
Estabilidade – As características constantes, que formam a espinha dorsal de uma língua, são
estáveis no tempo e no espaço. É por isso que, à exceção de um ou outro detalhe, conseguimos
entender, ainda hoje, um texto escrito no século XVI; e que um brasileiro do Sul do país pode
conversar, sem grandes dificuldades, com seus compatriotas do Norte.
Mobilidade – Outros elementos, entretanto, são flutuantes, modificando-se de acordo com a
época ou o lugar. É o caso das palavras arcaicas, as que deixaram de ser usadas. Dos
regionalismos, vocábulos ou expressões que só se empregam em determinadas regiões do país.
E da gíria, que muda de um lugar para outro, está sujeita a modismos e pode ser praticada
apenas por pequenos grupos fechados (a gíria dos surfistas, dos roqueiros, dos traficantes, dos
policiais, etc.).
Dessa forma vê-se que a estrutura de uma língua supõe, ao mesmo tempo, elementos estáveis e
constantemente mutáveis: um esqueleto gramatical básico mas, também, a mobilidade do
vocabulário, de certos tipos de expressão e, dependendo do caso, até mesmo de algumas
construções gramaticais.
Em seu Curso de Lingüística Geral, Ferdinand de Saussure formula dois conceitos básicos para
os estudos linguísticos: o de língua e o de fala.
Língua – São as convenções adotadas por um determinado grupo social e que, portanto, não
podem ser criadas nem modificadas por um indivíduo isolado (noção que se liga, portanto, à de
estrutura).
Fala – É a forma como os indivíduos utilizam essas convenções. Essa, sim, está sujeita a
modificações regionais ou em virtude da criação de gírias ou jargões (noção que se liga à de
variação, mobilidade). A fala varia, além disso, em função dos diversos registros em que é
empregada.
Registros – São os diferentes níveis de linguagem, dependendo das situações, ora mais formais,
ora mais descontraídas, em que a língua é utilizada. Não se fala da mesma maneira quando se
está pronunciando uma conferência ou conversando despreocupadamente com um amigo pelo
telefone; e não se escreve da mesma maneira quando se está redigindo um ensaio ou uma carta
para um parente.
Língua comum – É a empregada, em geral, num grande centro urbano, foco de influência
política e cultural (no caso brasileiro, por exemplo, o eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte), e que
serve de modelo básico para a fala de todo o país. Pode sofrer modificações provocadas pelos
imigrantes, que acrescentam suas contribuições regionais. Mas sua extensão a todo o país é
feita através do ensino e também da imprensa, rádio e televisão, que são agentes poderosos no
processo de nivelamento da língua nacional, de acordo com os padrões dos grandes centros de
produção econômica e cultural.
A língua escrita, naturalmente, manterá uma forma muito mais estável do que a oral, pois sua
uniformidade é mantida através das escolas, dos dicionários e das gramáticas. Esse é, aliás, um
fenômeno geral; o espanhol escrito da Espanha e dos países hispano-americanos difere menos
do que o falado, muito mais sujeito à influência de regionalismos e de gírias locais (o lunfardo
argentino, por exemplo, é um tipo de gíria portenha que não tem correspondente em nenhum
outro país de fala espanhola, embora seus vocábulos, por proximidade de fronteiras, sejam
anexados por nações vizinhas, incluindo-se aí até o português do Brasil). A mesma distância
menor para a escrita e maior para a fala verifica-se com o português do Brasil e de Portugal, o
inglês dos EUA e da Inglaterra, o francês do Canadá e da França.
Circunstâncias históricas fazem também com que um país possa ser bilíngüe (o inglês e o
francês no Canadá, o francês e o flamengo na Bélgica) ou multilíngüe (o francês, alemão, italiano
e romanche na Suíça). Quanto às ex-colônias – as da África, por exemplo, onde predominam o
inglês e o francês, herdados do colonizador europeu –, assiste-se, com freqüência, a um esforço
para restabelecer, como língua nacional, o idioma que se falava originalmente na região (o árabe
no norte do continente, o suahili em diversos países da África negra etc.). Por outro lado, dentro
de alguns países, há minorias lutando pelo direito de que a sua língua seja considerada oficial.
Língua padrão – Existe, entretanto, a necessidade de se estabelecer uma língua padrão, acima
de todas as variantes criadas pela inserção de regionalismos na língua comum. Ela é aquilo que
o consenso coletivo considerou ser a forma mais correta da língua, a ser usada em documentos
e cerimônias oficiais, no ensino básico, nos meio de comunicação e na maior parte das formas
de produção cultural. As convenções que regem essa língua padrão fazem com que ela seja bem
distante da língua escrita informal, e mais distante ainda das formas orais da fala.
Essas convenções podem, em alguns casos, levar a um extremo artificialismo, como é o caso
do grego, que possui duas modalidades nitidamente separadas: o katarevússa, muito próximo do
grego antigo, mais sintético, usado em todos os documentos oficiais (e, até certa época, na
literatura), e o demotiki, mais analítico, usado oralmente (e, hoje em dia, também pelos meios de
comunicação e a maioria dos literatos).