Línguas do Mundo
As línguas são formas de comunicação e podem ser expressadas oralmente ou por escrito.
Consistem na combinação e articulação de palavras e sons de maneira socialmente
estabelecida. Cada povo possui sua língua para a transmissão do seu conhecimento e da sua
cultura. A língua é, portanto, um dos elementos que caracterizam etnicamente uma sociedade.
Segundo dados de 1995 do Summer Institute of Linguistics da Universidade do Texas, EUA, há
6.703 línguas no mundo. Desse total, 33% encontram-se na Ásia (2.165), 30% na África (2.011),
19% na Oceania (1.302), 15% na América (mil) e 3% na Europa (225). Há ainda os dialetos –
variações regionais de uma língua quanto à pronúncia e ao vocabulário –, estimados entre 7 mil e
8 mil. Apesar da grande quantidade de idiomas existentes, os lingüistas avaliam que a tendência
atual é de grandes contingentes populacionais falando um número cada vez mais reduzido de
línguas.
As dez línguas mais faladas (como línguas maternas) são utilizadas por quase metade da
população mundial, aproximadamente 2,6 bilhões de pessoas. São elas: mandarim (885
milhões), inglês (322 milhões), espanhol (266 milhões), bengali (189 milhões), hindi (182
milhões), português (170 milhões), russo (170 milhões), árabe (148 milhões), japonês (125
milhões) e alemão (98 milhões).
Embora seja o idioma mais falado do mundo, o mandarim é usado em poucos países, e apenas a
China responde por 836 milhões de falantes. Já o inglês, com menos da metade de falantes, é a
língua oficial de cerca de 45 países, como Estados Unidos, Canadá, África do Sul,
Botsuana, Austrália, Bahamas, Reino Unido e Irlanda; a segunda língua de aproximadamente 150 milhões
de pessoas em todo o globo; e também o principal idioma da comunicação mundial, usado na
diplomacia, na economia, no turismo e na informática, entre outros setores. No século XX
desempenha o mesmo papel que teve o francês durante os séculos XVIII e XIX.
Troncos lingüísticos –As línguas derivadas de uma língua comum ou principal (língua-mãe) que
apresentam semelhanças na combinação de sons (fonética) e de palavras (morfologia)
agrupam-se em famílias. As famílias que possuem características comuns são reunidas em
troncos. Eis os principais: indo-europeu, camito-semítico, uralo-altaico, dravídico,
malaio-polinésico, tibeto-birmanês, austro-asiático, africano e ameríndio.
Ao tronco indo-europeu pertencem 425 línguas, entre elas sete das dez mais faladas do globo
(inglês, hindi, espanhol, russo, bengali, português e alemão). Esses idiomas abrangem 1,4 bilhão
de pessoas, o que corresponde a cerca de 25% da população mundial. O tronco indo-europeu
expande-se a partir do século XV, com a colonização da América, da África e da Ásia.
Atualmente se falam essas línguas em todo o continente europeu e americano, na Austrália e em
parte da Ásia.
O tronco camito-semítico possui 370 línguas concentradas no Oriente Médio, norte da África e
leste da Ásia. O árabe, sétimo idioma mais falado do mundo, faz parte desse tronco. Sua
expansão pela Europa ocorre a partir do século VII, com a difusão do islamismo.
O tronco tibeto-birmanês, com 360 línguas, abrange principalmente China (incluindo o Tibet),
Mianmar e Nepal. A ele pertence o mandarim, língua oficial da China.
O tronco africano permanece restrito a esse continente e possui cerca de 2 mil línguas. A
imprecisão das estimativas deve-se ao fato de muitos idiomas ainda não terem sido identificados
e classificados. As principais famílias são a sudanês-guineense, o banto e o hotentote-bosquímano. As línguas oficiais dos países africanos não são as nativas, mas sim as
dos colonizadores, sobretudo o inglês, o francês e o português, sendo a única exceção o
suahili, falado na Tanzânia e no Quênia.
O tronco ameríndio, que possui atualmente cerca de mil línguas, é formado pelas famílias
lingüísticas que ocupavam o continente americano antes de sua colonização pelos europeus. As
principais famílias na América do Norte são a algonquino (com 31 línguas), a hoka (27 línguas), a
asteca (60 línguas) e a na-dene (42 línguas). Na América Central destaca-se a família maia (68
línguas). Na América do Sul, a aruák (19 línguas), a chibcha (22 línguas), a karib (21 línguas), a
tupi-guarani (21 línguas) e a jê (oito línguas).
O tronco malaio-polinésico, que abrange principalmente a região da Oceania, distingue-se pelo
número de línguas que possui (1.236). A esse tronco pertence o javanês, 12ª língua mais falada
do mundo, com cerca de 75 milhões de falantes.
Os demais troncos possuem menos de 200 línguas. O austro-asiático tem 180, muitas delas em
extinção. Predomina no sul da China, no Camboja, no Laos e em Mianmar. No tronco
uralo-altaico (99 línguas), as principais línguas são o japonês (nono idioma mais falado do
mundo), o húngaro, o finlandês, o turco, o mongol e o manchu, espalhados por Federação Russa,
China, Japão, alguns países da região do Cáucaso (Ásia Central) e da Escandinávia. O tronco
dravídico (78 línguas) domina no sul da Índia. As línguas mais faladas pertencem às famílias
tâmil, télugo, canará e malaiala.
Línguas em extinção –Atualmente, metade das línguas existentes corre o risco de
desaparecer. Segundo muitos lingüistas, uma língua pode ser considerada em processo de
extinção quando é falada por menos de 200 mil pessoas.
Os principais fatores que determinam seu desaparecimento são a redução do número de
falantes, a ausência de mecanismos de preservação (como os registros escritos) e a perda de
prestígio. Neste último caso, chamado de transferência lingüística, os falantes de uma língua de
menor representatividade substituem-na por outra dominante econômica e socialmente.
O tronco africano é um dos mais ameaçados. Pesquisas apontam que aproximadamente 200
línguas africanas estão desaparecendo – como o avikán, falado na Costa do Marfim – e pelo
menos 47 já se extinguiram. Nesse continente, a extinção de línguas começa a partir do século
XV, com a colonização européia, que dizimou a maior parte dos povos nativos.
Processo semelhante ocorre ainda com as línguas do tronco ameríndio. Hoje, elas se limitam a
cerca de 250, e os maiores grupos de falantes não passam de 20 mil pessoas, localizadas
principalmente na região da floresta Amazônica.
Algumas línguas indo-européias também já estão extintas, como o eslavo, o ilírio, o dalmático, o
tocariano e o hitita. Do eslavo, falado na Macedônia no século IX, o principal registro são
documentos religiosos. Do hitita, falado na Ásia Menor, restam apenas textos em escrita
cuneiforme de 1400 a.C. e as inscrições pictográficas e hieroglíficas. Já o latim, embora não seja
mais falado por nenhum país desde o fim do Império Bizantino, não pode ser considerado extinto.
Língua da qual derivam, entre outras, o italiano, o francês, o espanhol e o português, ainda é o
idioma oficial da Igreja Católica. Seu vocabulário é usado ainda em algumas ciências, como a
medicina, a biologia e o direito.
Esperanto –Criado em 1887 pelo médico e lingüista polonês Ludwig Lazar Zamenhof, com o
objetivo de facilitar a comunicação entre povos de diferentes línguas. Em 1954 passa a ser
reconhecido como idioma internacional pela Unesco. Possui uma gramática com apenas 16
regras, sem exceções, e seu vocabulário tem origem em línguas latinas (maior porcentual de
palavras), germânicas, eslavas e gregas. A Associação Universal do Esperanto, fundada em
1908, com sede em Roterdam, na Holanda (Países Baixos), conta com 1,8 mil esperantistas em
88 países.