Thomas More (1477-1535).

Humanista, político e escritor inglês. Conhecido sobretudo como autor da Utopia, descrição de um estado ideal que assegura o equilíbrio social e a igualdade dos cidadãos.

Homem de vasta cultura e notáveis dotes de administrador e diplomata, Thomas More levou sua fidelidade à confissão católica até o extremo de entrar em conflito insolúvel com o rei a quem servia, Henrique VIII da Inglaterra. Condenado, enfrentou com serenidade a pena capital. Thomas More (latinizado, Morus) nasceu em Londres em 7 de fevereiro de 1477. Filho de um advogado, seguiu a mesma profissão do pai e adquiriu uma cultura humanística que lhe valeu a admiração de Erasmo de Rotterdam, que em 1508 lhe dedicaria sua principal obra, Encomium moriae (Elogio da loucura). Em 1504, More casou-se com Jane Colt. Viúvo em 1511, desposou Alice Middleton. Em 1516 publicou sua obra mais ambiciosa, Utopia, forma abreviada de De optimo publicae statu deque nova insula Utopia (Sobre o melhor estado e sobre a nova ilha Utopia). Nela, descreve um estado imaginário situado numa ilha, uma Inglaterra ideal, governada por uma assembléia eleita, cuja principal incumbência consiste em evitar os desequilíbrios sociais e garantir a igualdade dos cidadãos. A ordem social em Utopia baseia-se na família e prevê o trabalho de todos, exceto de um pequeno grupo de homens que têm por tarefa o estudo. Entre os temas tratados figuram a eutanásia, o divórcio, os direitos da mulher e a educação pública. O modelo da Utopia foi, evidentemente, a república ideal de Platão, numa versão renascentista. A segunda edição do livro, que fez muito sucesso, foi ilustrada por Hans Holbein. Seu trabalho seguinte, History of King Richard III (1518; História do rei Ricardo III), é considerado a primeira obra-prima da literatura histórica inglesa. Conhecido pelo talento de jurista, Thomas More entrou para o serviço do rei e, em 1521, foi nomeado vice-tesoureiro do reino e sagrado cavaleiro, como prêmio pela habilidade no desempenho de árduas negociações diplomáticas. Como parlamentar, destacou-se pela vigorosa defesa da liberdade de palavra. Os debates parlamentares lhe valeram títulos honoríficos das universidades de Oxford e Cambridge. Em 1527 desencadeou-se o conflito que lhe custaria a vida. Henrique VIII, casado com Catarina de Aragão, que só lhe dera uma filha, e temeroso de morrer sem deixar descendência masculina, quis desposar outra mulher. Para isso, resolveu pôr fim, com o divórcio, a um casamento que sua religião considerava indissolúvel. More, que em outubro de 1529 fora nomeado chanceler do reino, renunciou em 1532, quando compreendeu que se aproximava a crise definitiva. Negou-se a assistir à coroação da nova rainha, Ana Bolena, o que constituiu um agravo ao monarca. Recusou-se também a reconhecer o rei como chefe da Igreja da Inglaterra, que se havia separado de Roma. Acusado de corrupção e de cumplicidade com uma adivinha, Thomas More foi preso na torre de Londres (1534), julgado e condenado à decapitação. Morreu em Londres em 6 de julho de 1535. Beatificado em 1886 por Leão XIII, foi canonizado em 1935 por Pio XI. Por sua obra Utopia, inclui-se entre os precursores do socialismo. Em Moscou, erigiu-se uma estátua em sua honra, num caso único de homenagem de um país comunista a um santo da Igreja Católica.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

VOLTAR

Hosted by www.Geocities.ws

1