SOBRE O TASSO NA PRISÃO DE ENGÈNE DELACROIX
O poeta na masmorra, em desalinho, aflito,
Calcando sob o pé convulso um manuscrito,
Com olhar de terror mede a extensão da escada
Cuja vertigem lhe atordoa a alma abismada.
Risos frenéticos que ecoam na prisão
Ao estranho e ao absurdo arrastam-lhe a razão;
A Dúvida que o cerca e o ridículo Medo
O envolvem num horrendo e multiforme enredo.
Esse gênio encerrado em calabouço infame,
Os esgares, o ais e os duendes cujo enxame
Turbilhona por trás de seu alerta,
Esse que do êxtase o terror ora desperta,
Eis teu emblema, alma de frêmitos obscuros,
Que a Realidade abafa entre os quatro muros!