VERSOS PARA O RETRATO DE HONORÉ DAUMIER

Este de quem te esboço o vulto
E que, com sua arte ferina,
Rir de nós mesmos nos ensina,
É um sábio ao qual se deve o culto.

Ele é um satírico, um bufão,
Mas a energia com a qual
Nos pinta as seqüelas do Mal
Prova-lhe o imenso coração.

O seu sorriso não revela
De Melmoth o trajeto abjeto
Sob a feroz tocha de Alecto
Que os queima, mas também nos gela.

No riso destes, da alegria
Não há senão um travo amargo;
O seu, que se abre franco e largo,
De uma alma nobre se irradia.

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