Prometeu
A figura
trágica e rebelde de Prometeu, símbolo da humanidade, constitui
um dos mitos gregos mais presentes na cultura ocidental.
Filho de Jápeto e Clímene ou da
nereida Ásia ou ainda de Têmis, irmã de Cronos, segundo outras
versões , Prometeu pertencia à estirpe dos titãs, descendentes
de Urano e Gaia e inimigos dos deuses olímpicos. O poeta
Hesíodo relatou, em sua Teogonia, como Prometeu roubou o fogo
escondido no Olimpo para entregá-lo aos homens. Fez do limo da
terra um homem e roubou uma fagulha do fogo divino a fim de
dar-lhe vida. Para castigá-lo, Zeus enviou-lhe a bonita Pandora,
portadora de uma caixa que, ao ser aberta, espalharia todos os
males sobre a Terra. Como Prometeu resistiu aos encantos da
mensageira, Zeus o acorrentou a um penhasco, onde uma águia
devorava diariamente seu fígado, que se reconstituía. Lendas
posteriores narram como Hércules matou a águia e libertou
Prometeu.
Na Grécia, havia altares
consagrados ao culto a Prometeu, sobretudo em Atenas. Nas
lampadofórias (festas das lâmpadas), reverenciavam-se ao mesmo
tempo Prometeu, que roubara o fogo do céu, Hefesto, deus do
fogo, e Atena, que tinha ensinado o homem a fazer o óleo de
oliva. A tragédia Prometeu acorrentado, de Ésquilo, foi a
primeira a apresentá-lo como um rebelde contra a injustiça e a
onipotência divina, imagem particularmente apreciada pelos
poetas românticos, que viram nele a encarnação da liberdade
humana, que leva o homem a enfrentar com orgulho seu destino.
Prometeu significa
etimologicamente "o que é previdente". O mito, além
de sua repercussão literária e artística, tem também
ressonância profunda entre os pensadores. Simbolizaria o homem
que, para beneficiar a humanidade, enfrenta o suplício
inexorável; a grande luta das conquistas civilizadoras e da
propagação de seus benefícios à custa de sacrifício e
sofrimento. Tema de vários quadros célebres, de Ticiano e
Michelangelo, o suplício de Prometeu foi para Shelley motivo de
reflexões metafísicas.