Pã
Pã, cujo nome em
grego significa "tudo", assumiu de certa forma o
caráter de símbolo do mundo pagão e nele era adorada toda a
natureza.
Na mitologia grega, Pã era o deus
dos caçadores, dos pastores e dos rebanhos. Representado por uma
figura humana com orelhas, chifres, cauda e pernas de bode,
trazia sempre uma flauta, a "flauta de Pã", que ele
mesmo fizera, aproveitando o caniço em que se havia transformado
a ninfa Siringe. Sobre seu nascimento há várias versões:
dão-no como filho de Zeus ou de Hermes, também como filho do Ar
e de uma nereida, ou filho da Terra e do Céu. Teve muitos
amores, os mais conhecidos com as ninfas Pítis e Eco, que, por
abandoná-lo, foram transformadas, respectivamente, em pinheiro e
em uma voz condenada a repetir as últimas palavras que ouvia.
Segundo a tradição, seu culto foi introduzido na Itália por
Evandro, filho de Hermes, e em sua honra celebravam-se as
lupercais. Em Roma, foi identificado ora com Fauno, ora com
Silvano.
A respeito de Pã, Plutarco relata
um episódio de enorme repercussão em Roma ao tempo do imperador
Tibério. O piloto Tamo velejava pelo mar Egeu quando, certa
tarde, o vento cessou e sobreveio longa calmaria. Uma voz
misteriosa chamou por ele três vezes. Aconselhado pelos
passageiros, Tamo indagou à voz o que queria, ao que esta lhe
ordenou que navegasse até determinado local, onde deveria
gritar: "O grande Pã morreu!". Tripulantes e
passageiros persuadiram-no a cumprir a ordem, mas quando Tamo
proclamou a morte de Pã ouviram-se gemidos lancinantes de todos
os lados. A notícia se espalhou e Tibério reuniu sábios para
que decifrassem o enigma, que não foi explicado. A narrativa de
Plutarco tem sido interpretada como o anúncio do fim do mundo
romano e do advento da era cristã.