Musas
A imagem das musas
como inspiradoras das artes mostra a força do legado helênico
à cultura ocidental. De seu nome deriva o termo museu, lugar
inicialmente destinado ao estudo das ciências, letras e artes,
atividades protegidas pelas musas.
Na mitologia grega, as musas eram
deusas irmãs veneradas desde tempos remotos no monte Hélicon,
da Beócia, onde eram festejadas a cada quatro anos, e na
Piéria, Trácia. Inicialmente, eram as inspiradoras dos poetas.
Mais tarde sua influência se estendeu a todas as artes e
ciências.
Na Odisséia Homero menciona nove
musas, que constituíam um grupo indiferenciado de divindades. A
diferenciação teve início com Hesíodo, que chamou-as Clio,
Euterpe, Talia, Melpômene, Terpsícore, Érato, Polímnia,
Urânia, e Calíope (ou Caliopéia), esta a líder das musas.
Eram filhas de Mnemósine (Memória). Na relação de Hesíodo ,
que embora seja a mais conhecida, não é a única ,os nomes são
significativos. Érato, por exemplo, significa
"adorável" e Calíope, "a de bela voz".
Em geral as musas eram tidas como
virgens, ou pelo menos não eram casadas, o que não impede que
lhes seja atribuída a maternidade de Orfeu, Reso, Eumolpo e
outros personagens, de alguma forma ligados à poesia e à
música, ou relacionados à Trácia.
Estátuas das musas eram muito
usadas em decoração. Os escultores representavam-nas sempre com
algum objeto, como a lira ou o pergaminho, e essa prática pode
ter contribuído para a distribuição das musas entre as
diferentes artes e ciências. As associações entre as musas e
suas áreas de proteção, no entanto, são tardias e apresentam
muitas divergências. De maneira geral, Clio se liga à
história; Euterpe, à música; Talia, à comédia; Melpômene,
à tragédia; Terpsícore, à dança; Urânia, à astronomia;
Érato, à poesia lírica; Polímnia, à retórica; e Calíope,
à poesia épica.
Mesmo na mitologia greco-romana
existem outros grupos de musas, de cunho mais regional, como o
das musas Méleta, da meditação; Mnema, da memória; e Aede,
protetora do canto e da música.